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“A Cooperativa não tem Sócios...
... são os Sócios que tem a Cooperativa”
(Leonardo Boesche)
 

Cooperativas de Crédito são associações de pessoas, que buscam através da ajuda mútua, sem fins lucrativos, uma melhor administração de seus recursos financeiros. O objetivo de uma cooperativa de crédito é prestar assistência creditícia e a prestação de serviços de natureza bancária a seus associados com condições mais favoráveis.”

 

As Cooperativas de Crédito são em muitos países do mundo uma das principais instituições financeiras à serviço das comunidades.

É na França que vemos a maior expressão do cooperativismo crédito do mundo. Neste país 60% dos recursos financeiros são movimentados pelos 4 sistemas de crédito existentes. O francês Credit Agricole, maior banco cooperativo do mundo atualmente figura como 5º colocado na lista dos 50 maiores bancos mundiais quando levado em conta o volume de Ativos administrados. Os bancos cooperativos franceses administravam em 2006 US$ 3,47 trilhões em Ativos e possuiam juntos 19,2 milhões de associados.

Já na Alemanha o cooperativismo de crédito administrava em 2006 US$ 1,38 trilhão em Ativos representado principalmente pelo DZ Bank (Deutsche Zentral -Genossenschaftsbank) que possui 16 milhões de associados. Na Alemanha aproximadamente 20% dos ativos bancários são administrados pelos bancos cooperativos.

O Brasil figura atualmente como o 19º colocado neste ranking de volume de ativos administrados pelas cooperativas de crédito. As 1.370 cooperativas existentes no Brasil administram ativos em torno de US$ 54 bilhões, oriundos de seus 5 milhões de associados. A fatia de mercado das cooperativas de crédito é em torno de 2,1% do total do país. O cooperativismo de crédito é representado no Brasil pelos sistemas SICREDI, SICOOB, UNICRED, CONFESOL, CECRED e também por Cooperativas Independentes (solteiras) não ligadas à uma Confederação.

Conheça neste site mais informações sobre o Cooperativismo de Crédito no Brasil e no Mundo.

 

 

O Crescimento do Cooperativismo de Crédito e a Reação dos Bancos

Matéria extraída do Jornar "O Interior" (SESCOOP/RS), edição 992 de Ago/08.
Autor: Léo Trombka - Presidente da UNICRED Porto Alegre

As cooperativas de crédito são estruturas constituídas de forma democrática e espontânea, com base nas necessidades de serviços e produtos das pessoas, sendo que os benefícios gerados deverão, necessariamente, retornar para seus sócios.

Mesmo tendo um papel fundamental para o desenvolvimento das diversas comunidades e regiões do País, o cooperativismo de crédito possui uma participação tímida em relação ao Sistema Financeiro Nacional, hoje em torno de 3%. Realidade diferente encontramos em países desenvolvidos, como retrata o relatório anual da Associação Européia dos Bancos Cooperativos, cujo papel é fundamental e preponderante para todo o continente europeu, atingindo cerca de 130 milhões de clientes, 700 mil empregos, 60 mil agências e 17% dos depósitos financeiros, com destaques para a
França, HolandaEspanha e Alemanha. Nesta última, o ramo crédito encerra 2007 com 960 bilhões de euros de ativos e 9,34 bilhões de euros de capital aportado pelos 16,1 milhões de sócios nos seus 1.232 bancos cooperativos. Nos Estados Unidos  o desempenho do cooperativismo também impressiona pelos seus números, pois são mais de 85 milhões de associados, U$ 661 bilhões de ativos, U$ 423 bilhões de empréstimos e mais de U$ 570 bilhões em depósitos.

No Brasil, as cooperativas de crédito geraram em 2006 um diferencial de renda para os associados, levando em conta os juros mais baixos dos cartões de crédito, cheque especial e crédito pessoal, de R$ 154 milhões ao mês e, estima-se R$ 1,84 bilhões ao ano,
segundo dados do Banco Central. Recursos estes que propiciaram investimentos e consumo ao cooperado e como via de conseqüência mais impostos aos governos estaduais e federal.

Neste mesmo ano começou a evidenciar-se uma tendência que justifica a reação dos bancos. Os percentuais de crescimento do cooperativismo de crédito superaram até mesmo os altos índices dos bancos comerciais, como nos mostram os
dados fornecidos pelo Banco Central.

  • nos ativos comerciais um percentual de crescimento de 29,58% para as cooperativas e 19,30% para os bancos;
  • nos depósitos totais, 29,22% para as cooperativas contra 14,53% para os bancos;
  • no patrimônio líquido, 20,62% contra 21,05%;
  • nas operações de crédito 21,27% contra 21,37% dos bancos;

Tendo acesso a estes dados começamos a compreender a agressiva luta dos diversos bancos em busca da compra das folhas de pagamento de prefeituras, hospitais, e ... cooperativas. É uma das máximas do mercado, se a concorrência está pondo em risco sua liderança, compre-a.

Neste sentido é importante que os dirigentes de cooperativas em geral, e das de Saúde em particular, estejam atentos a estas manobras que estão surgindo em alguns pontos do país por parte dos bancos, com ofertas tentadoras de compra das folha de pagamento dos cooperados. Como se diz comumente, "não existe almoço de graça", e fatalmente quem pagará a conta serão os cooperados, sob forma de juros mais altos, obrigatoriedade de adquirir produtos acoplados, tarifas e outros subterfúgios. São manobras diversionistas que buscam enfraquecer o Sistema Cooperativo de Crédito que está em lenta, mas segura ascensão com benefícios que retornam à comunidade.

 

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