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Cooperativismo de Crédito no Canadá

O Canadá é o 9º país do mundo com maior expressão no cooperativismo de crédito.

No Canadá existem dois sistemas de cooperativas de crédito: Dejardins, no estado de Quebec, sendo a 6ª maior instituição financeira do Canadá, com penetração de 73% da população, e o sistema Crédit Unions, nos demais estados. Segundo estudo da Ordem dos Economistas do Brasil, no Canadá a penetração das cooperativas na população economicamente ativa (PEA) é de 22%, sendo a participação no mercado financeiro é de 10,5%.

Alphonse Desjardins foi o precursor do cooperativismo de crédito nas Américas quando fundou em 06/12/1900 em Quebec no Canadá a primeira de muitas cooperativas que seguiriam o mesmo modelo. Entre os empréstimos concedidos até o ano de 1915, 90% tinham valores inferiores a US$ 100,00. Predominavam os empréstimos de US$ 1 a US$ 50,00. (leia mais

Cooperativismo de Crédito no Canadá

Instituição

Cooperativas de Crédito

Pontos de Atendimento

Associados

Ativos (US$)

Empréstimos (US$)

Ano Base

Desjardins

451

1.637

6 milhões

175 bilhões

116 bilhões

2010

Credit Unions Central of Canadá

386

1.734

5,1 milhões

127 bilhões

105 bilhões

2010

Total

837

3.371

11,1 milhões

302 bilhões

221 bilhões

 
 

 

Desjardins - O maior grupo financeiro cooperativo do Canadá

O Canadá serve nos dias de hoje de inspiração para os Cooperativistas de Crédito.

No site da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) é possível encontrar um rico material sobre o Cooperativismo de Crédito no Canadá.

Segundo o estudo, em o mercado financeiro canadense é composto por 72 Bancos e 837 Cooperativas de Crédito de 2 sistemas:

  • 451 da Rede Desjardins, com 896 pontos de atendimento
  • 386 Crédito Unions (CU)

O Sistema Desjardins é a 6ª maior Instituição Financeira em volume de Ativos do Canadá. É a 1ª instituição financeira no Québec. Desjardins é a 9ª maior instituição financeira cooperativa do mundo.

Alguns dados:

  • Em 2006, as cooperativas financeiras locais participavam com 10,5 % do ativo nacional totaldas instituições de depósito do Canadá
  • As cooperativas financeiras sempre conservaram sólidas partes do mercado canadense. Em 2006, elas detinham, em média, 13% do volume de poupança e 14% do volume de empréstimos
  • O Canada é um dos países quetem a maior proporção de membros de cooperativas financeiras em relação a sua população (mais de 11 milhões de membros, isto é, 1/3 da população)
  • As cooperativas financeiras detêm 38% dos centros de serviços bancários no Canadá e os 6 maiores bancos reunidos dividem o restante.

Fonte: Ordem dos Economistas do Brasil (OEB)

O Desjardins Group é um conglomerato canadense de caisses populaires e caisses d´économie. As caisses populaires são cooperativas cujos associados vivem em uma mesma região. As caisses d´economie também são cooperativas, entretanto, na maioria dos casos, o critério de associação não é a proximidade geográfica, mas, o fato dos associados pertencerem à mesma classe profissional ou trabalharem no mesmo local.

A Fédération é a organização central do Grupo Desjardins, equivalendo à uma Cooperativa Central. Atua diretamente sobre as decisões estratégicas e acompanhamento, estratégias de liquidez e gestão financeira e disponibiliza produtos e serviços financeiros. Administra ainda os recursos financeiros, através da Caisse Centrale Desjardins. Presta serviços às cooperativas e coordena as atividades das outras empresas que compõe o Grupo Desjardins. 

 

 

Desjardins - Grande aceitação por seus associados

Pesquisa realizada no Canadá demonstra o grande grau de aceitação que o Sistema Desjardins tem entre seus associados.

A pesquisa “Como os Canadenses Classificam seus Bancos em Relação à Defesa do Cliente”, avalia a questão da fidelidade sob a perspectiva do cliente e afirma que a simplicidade é a chave para tornar-se uma empresa “defensora”.

“As instituições com as melhores pontuações, são as que simplificam a vida de seus clientes”, prossegue Doyle. “Possuem um produto simples, altos níveis de resolução de problemas na primeira ligação, com um caloroso call center que trabalha firme para resolver os problemas dos clientes.”

Dos cinco melhores bancos canadenses, pesquisados para o relatório, o destaque fica para o Desjardins, com 46% de seus clientes classificando-o como um ótimo defensor dos interesses dos clientes.

Segundo Doyle, o Desjardins possui, entre suas características, um modelo de operação que visa o benefício dos correntistas. “Faz um bom trabalho quando o assunto é tomar o partido do cliente”.As declarações mais comuns dadas ao Forrester pelos clientes avaliados foram: “O banco fica do meu lado quando eu tenho um problema”. Enquanto instituições que não foram tão bem classificadas assumem que a culpa é do cliente, sem transmitir a percepção de que estão realmente ouvindo as reclamações dos clientes.

Satisfação reflete-se nos negócios do a Cooperativa
Quase que sem exceções, os resultados da defesa do cliente contribuem para aumentar a compra de produtos por clientes individuais. O Desjardins apresenta uma média de 9,4 produtos adicionais vendidos aos clientes, enquanto que as demais instituições financeiras estão na casa dos 2,75.

“Clientes que sentem que o banco faz o que é melhor para ele e não o que é melhor para os resultados financeiros, tendem a comprar mais e indicam novos clientes, como amigos e familiares”.

"Acredito que a maioria dos correntistas de um banco como o Desjardins se sentem como se tivessem realizado um acordo justo. Uma instituição que mantém suas promessas, segue o protocolo e protege a privacidade de dados - estes são os itens que equacionam uma alta pontuação para a defesa de clientes", finaliza Doyle.

Leia mais sobre a pesquisa de
Bill Doyle


Cooperativismo de crédito mútuo: de Desjardins ao Brasil de hoje

Fonte: http://www.gestaocooperativa.com.br/

O cooperativismo de crédito no Brasil, especialmente nos últimos anos, tem crescido muito. À primeira vista, isso nos parece satisfatório. Todavia, as bases em que o crescimento está pautado são questionáveis.

Ao compararmos o histórico do cooperativismo de crédito brasileiro ao modelo canadense, referência-mor para o sistema brasileiro, percebem-se questões interessantes, porém, esquecidas pelos cooperativistas de hoje, com destaque para as relativas às origens, como, por exemplo, o apoio da Igreja Católica, a iniciativa e a persistência de um visionário (Desjardins no Canadá e D. Therezita no Brasil) e a falta de apoio do Estado.

O cooperativismo de crédito canadense, seguindo as orientações de seu precursor, sempre procurou atuar de forma a cumprir seu papel de atendimento à população, principalmente à de poupança. Contudo, com a preocupação de colocar o associado como principal agente, participativo e determinante, nunca como simples cliente. Quando questionado se as caixas populares não seriam simples concorrentes dos bancos, Desjardins sempre fez questão de negar tal afirmação. Segundo ele, são instituições diferentes que deveriam atuar de forma complementar. Essa constatação é necessária para entendermos as diferenças entre os modelos canadense e brasileiro.

Aqui no Brasil temos uma realidade paradoxal. Temos um dos melhores sistemas bancários do mundo, mas um cooperativismo de crédito pouco expressivo; situação bem diferente da maioria das grandes economias do mundo.

Grande parte das cooperativas de crédito, em especial as de crédito mútuo, são instituições que atuam em regiões ou grupo de pessoas pré-determinadas. Por conseqüência, não conseguem atingir a escalas necessárias para obter maiores níveis de competitividade, o que as tornam suscetíveis às variações de mercado, fenômeno comum nos dias de hoje.

É nesse cenário que o atual Sistema de Cooperativismo de Crédito tem procurado se consolidar. Só nos últimos anos, a legislação o tem reconhecido, dando-lhe o mesmo tratamento fornecido às demais instituições financeiras, inclusive no que se refere à fiscalização.

Cooperativas de crédito não são bancos. Seus princípios, valores e doutrina são pilares que sustentaram o surgimento e desenvolvimento do cooperativismo em todo o mundo. O crescimento tão sonhado pelo Cooperativismo de Crédito Brasileiro, na tentativa de “abocanhar” mais fatia de mercado, constitui risco de desvirtuamento das bases doutrinárias.
No Brasil, percebendo o nível de subdesenvolvimento, o cooperativismo de crédito tem procurado incessantemente alavancar maiores índices de crescimento. Alia-se a esse fato o apoio político conseguido nos últimos anos (abertura para a livre admissão). Entretanto, o apoio mostra-se vulnerável, pois configura-se como política de bancarização do povo, sem o devido compromisso com a doutrina e princípios cooperativistas. Cabe aqui uma interrogação: será que as cooperativas “fechadas”, que atendiam de forma segmentada, atendiam a totalidade de seus possíveis cooperados?


Normalmente, ouve-se falar da expressividade do cooperativismo de crédito canadense, enquanto no Brasil os números são ínfimos. Muitos utilizam essa diferença para justificar o que podemos chamar de política “expansionista”. Porém, esquece-se de que, no Canadá, o cooperativismo de crédito, enraizado numa cultura mais propensa ao associativismo que a brasileira, já percorreu mais de um século. Enquanto isso, no Brasil, não chegamos a meio século de iniciativas com pouco apoio das bases. Por fim, pode-se perceber que a evolução do cooperativismo de crédito brasileiro, pautado no apoio do Estado, na verticalização do Sistema e na profissionalização da gestão, somente em parte atende ao que foi idealizado por Desjardins. Isso porque a principal parte do processo está sendo colocada em segundo plano. Essa política está concatenada com uma visão de mercado, capitalista, oposta aos ideários cooperativistas. O cooperativismo de crédito tem procurado atuar como bancos, lutando pela máxima eficiência. Será esse o seu papel? De todo modo, como aliar eficácia operacional, prática intrinsecamente capitalista, aos princípios do cooperativismo ?


Conheça o sistema Desjardins - http://www.desjardins.com/

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