A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA
Em uma sociedade altamente individualista, competitiva e eficientista como a nossa, própria do atual contexto de globalização, importa que uma educação cooperativista defina claramente seus objetivos e conteúdos em relação ao tipo de homem e de sociedade que se pretende formar.
Parece válido poder afirmar-se que a educação cooperativista, antes de preocupar-se com a oportunização de estímulos que valorizem os procedimentos organizacionais e produtivistas, bem como as técnicas indispensáveis para uma boa atividade cooperativa, se concentre primordialmente na formação de pessoas solidárias, democráticas, capazes de auto-ajudar-se na base da entre-ajuda, capazes enfim de situar o interesse do grupo pelo menos no mesmo nível de importância do interesse individual e familiar.
Ora, tal tipo de educação e orientação situa-se totalmente na contramão da mentalidade hoje dominante, que fomenta o individualismo, a concorrência desenfreada, o passar a frente e, se for necessário, por cima dos demais, para obter êxito na vida profissional e familiar. A educação para a cooperação e a solidariedade andam assim na contra-corrente dominante e por isso, mais difíceis de serem difundidas junto as organizações cooperativistas e aos empreendimentos solidários.
A educação cooperativista deve propor-se, de ao nível de sociedade, ser um instrumento eficaz na construção de um tipo de convivência social onde a tão alardeada mas pouco realizada democratização de oportunidades, seja acompanhada pela democratização dos resultados atingidos pela sociedade.
Para fazer parte de uma cooperativa, diferente de uma empresa capitalista, é necessário que além de ser capaz na função, saiba exatamente a filosofia do movimento. É impossível falar em cooperativismo e em inclusão social sem ter conhecimento sobre o assunto.
Texto extraído do Jornal Cooperativista do Sicoob Amazônia (Edição 71) e de autoria de José Odelso Schneider
EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO: O 5º princípio cooperativo
Faz-se necessário que aqueles que ingressam numa entidade cooperativa tenham clareza com relação à doutrina cooperativista, bem como quanto ao funcionamento da entidade da qual passam a fazer parte.
Este princípio é de fundamental importância, uma vez que o cooperativismo constitui doutrina própria, com princípios específicos, formas de atuação definidas e não pode ser confundido com outros tipos de associação comuns em qualquer sociedade. É necessário que a cooperativa, assim como as federações, confederações e demais entidades que congregam estas empresas peculiares, invistam na educação de seus membros e da comunidade em geral, como forma de esclarecimento a respeito do pensamento cooperativo e incentivo às novas iniciativas de associação de indivíduos segundo o modelo proposto por esta doutrina.
Para a maior efetivação deste princípio, a Lei 5.764/71, art. 28, inciso II, determina às cooperativas, a obrigatoriedade da constituição de um Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, com o recolhimento de, no mínimo, 5% das sobras líquidas do exercício.
FATES - Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social
FATES: As sociedades cooperativas são obrigadas a constituir o FATES - Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, que destina-se à prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa. É constituído de no mínimo 5% (cinco por cento) das sobras líquidas apuradas no exercício, resultante do ato cooperativo.
O lucro das operações com terceiros, após a dedução dos impostos incidentes, será integralmente destinado ao FATES, sendo indivisível entre os sócios.
OS RECURSOS DO FATES TEM A SEGUINTE ORIGEM:
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Parcela mínima de 5% das sobras de cada exercício, podendo o estatuto social estabelecer um percentual maior;
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Destinação das sobras à disposição da AGO, por deliberação dos associados, reunidos em Assembléia Geral;
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O lucro líquido das operações com terceiros (não sócios), depois de deduzidos os impostos e contribuições incidentes;
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Doação recebida com finalidade específica, para aplicação em assistência técnica, educacional e social.
Leia sobre o Ato Cooperativo clicando aqui.
PROGRAMA A UNIÃO FAZ A VIDA - PROGRAMA DE EDUCAÇÃO COOPERATIVA
As Cooperativas de Crédito bem como as
empresas privadas desenvolvem diversos programas sociais em suas comunidades. Um destes programas é o "A União Faz a Vida" desenvolvido pelo SISTEMA SICREDI.
O programa tem por objetivo construir e vivenciar atitudes e valores de cooperação e cidadania, por meio de práticas de educação cooperativa, contribuindo para a educação integral de crianças e adolescentes, em âmbito nacional.
Os princípios orientam o Programa, projetam sua visão de mundo e a compreensão sobre o modo de organização econômica e social que deseja reafirmar: Cooperação e Cidadania.
Os programas sociais desenvolvidos pelas Cooperativas atendem a dois dos Princípios Cooperativistas: Educação, Formação e Informação e Interesse pela Comunidade.
Fonte: Site A União Faz a Vida
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PROGRAMA COOPERJOVEM - SESCOOP
Coordenado pelo SESCOOP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), o Programa Cooperjovem passou a fazer parte das ações do SESCOOP em 2000, com o lançamento oficial no Distrito Federal, onde foi formada a primeira turma do programa.
Veiculo de fomento ao Cooperativismo: A escola pode ser uma das principais formas de disseminar a cultura cooperativa em uma comunidade. Os reflexos positivos são evidentes para a sociedade:
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estímulo à formação profissional, cooperação, voluntariado e solidariedade;
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capacitação de professores;
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fortalecimento da cultura do cooperativismo;
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alternativa para inserção do jovem no mercado de trabalho; e
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estímulo à formação de novos empreendimentos cooperativos.
O Programa Cooperjovem foi adotado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) com o objetivo de fomentar o cooperativismo por meio da escola.
O objetivo do Cooperjovem se torna realidade a partir da inserção de uma proposta educacional, baseada na relação ensino-aprendizagem, construída a partir dos princípios, valores e da prática da cooperação que embasam a doutrina do cooperativismo.
O estabelecimento do diálogo entre educador e educando facilita a integração e cria um clima de confiança, respeito e cooperação, ou seja, a escola é uma extensão da família.
O Programa Cooperjovem é um exemplo de boa aplicação dos recursos do Sistema “S” trabalhando pelo presente do cooperativismo e do país, mas principalmente pelo futuro.
Segundo Gilson Bittencourt, conselheiro do SESCOOP, existem pesquisas que demonstram a ligação direta entre cooperativismo e desenvolvimento humano. “Isso prova que as duas coisas trabalham em conjunto, mais uma indicação de que é preciso unir forças para o crescimento do cooperativismo. Daí a relevância do Programa Cooperjovem na disseminação dos valores cooperativistas e na conseqüente formação de novos líderes”.
Surgimento: Em 1996, com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – Lei 9.394/96 – criou-se a parte diversificada do ensino. Ela foi concebida para que as escolas pudessem contemplar, em seu currículo escolar, conteúdos que refletissem a realidade local onde estavam inseridas, sem prejuízo da base nacional comum.
Foi aberta então a oportunidade de ministrar o cooperativismo nas escolas. Para operacionalizar a novidade o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) adotou o Cooperjovem. O programa é voltado para professores, técnicos de cooperativas e alunos e oferece formação/capacitação continuada dentro dos princípios e valores cooperativistas aos estudantes do ensino fundamental e médio.
O processo educativo é dirigido pelo professor. O Sescoop orienta apenas com o caráter sugestivo. A programação pode ser flexível para se adaptar ao ritmo, ao interesse da turma e à dinâmica em sala de aula. Cabe ao professor servir-se da metodologia participativa, usando a criatividade e aproveitando cada situação para transforma-la em vivências e conceitos que facilitem a compreensão do que está sendo aprendido.
O professor tem papel fundamental no programa. É ele quem vai trabalhar o conteúdo em sala de aula e envolver os alunos na cultura da cooperação. Com isso, a criança descobrirá os valores e princípios cooperativistas, e ainda praticará a ajuda mútua, a cooperação, a solidariedade em pequenos gestos do dia-a-dia.
Tendo como base o ano letivo, calcula-se que devem ser dedicados à disciplina 32 horas/aula por ano, com uma hora semanal.
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