Sistema Raiffeisen - História do Cooperativismo de Crédito

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Modernos sindicatos de crédito datam de 1852, quando Franz-Hermann Schulze Delitzsch consolidou a aprendizagem a partir de dois projetos-piloto, em um Eilenburg e outro em Delitzsch na Alemanha que são geralmente reconhecidos como os primeiros sindicatos de crédito no mundo. Ele passou a desenvolver um grande sucesso urbano servindo a comerciantes, artesãos e proprietários de lojas.

Em 1864 Friedrich Wilhelm Raiffeisen fundou a primeira cooperativa de crédito rural no Heddesdorf (agora parte de Neuwied), na Alemanha. Embora Schulze-Delitzsch pode reivindicar precedência cronológica, Raiffeisen é muitas vezes visto como mais importante hoje. As comunidades rurais na Alemanha enfrentavam uma severa escassez de instituições financeiras. As Cooperativas eram muito pequenas com sazonalidade dos fluxos de caixa e limitados recursos humanos. Os membros das cooperativas de Raiffeisen eram geralmente mais pobres do que seus contemporâneos urbanos. Muitos eram ex-servos, libertados em diversas partes da Alemanha entre 1800 e 1848.

Os métodos organizacionais (ROSCA - ver parágrafo abaixo) de Raiffeisen criaram o hoje conhecido capital social, tornando uma característica marcante da identidade das cooperativas de crédito. A abordagem da Raiffeisen foi construída sobre muitos aspectos da Schulze's, mas com modificações significativas que tiveram implicações importantes para o microfinanciamento.

Enquanto Schulze poderia utilizar, em grande medida, uma abordagem comercial, a abordagem do Raiffeisen abordou o único problemas das populações rurais pobres em grande parte por explorar as fortes laços de solidariedade (ROSCA) e profundos valores cristãos na aldeia típica. Por exemplo, para contornar as pequenas e irregulares disponibilidades de dinheiro nas comunidades rurais, as cooperativas esperavam de seus administradores o trabalho voluntário, com apenas os caixas recebendo um pequeno pagamento. Sacerdotes, professores e demais moradores foram instruídos a servir muitas vezes inspirados pelos valores cooperativistas do movimento de Raiffeisen.

Considerando-se as características dos associados de Raiffeisen, pobres agricultores, as operações de crédito tinham como principal característica o microcrédito por tratarem-se de operações de crédito de baixo valor (inferior a US$ 1.000,00) onde os agricultores não tinham garantias a oferecer para a Cooperativa. Nesta época desenvolveu-se a ROSCA (Rotating Savings and Credit Association) ou Associação de Crédito Rotativo e Economias que tinha sua dinâmica muito semelhante ao atual produto "Consórcio", onde mensalmente todos contribuiam com um valor igual de forma que um dos membros do grupo pudesse utilizar a totalidade dos recursos arrecadados. O grupo tinha vida útil reduzida, não superior a 6 meses, o que diminuia em muito o risco de inadimplência. Mensalmente todos se reuniam para analisar o andamento da ROSCA dando assim transparência para todos.

Na época de sua morte em 1888 as cooperativas Raiffeisen tinham se espalhado para Itália, França, Holanda, Inglaterra e Áustria, entre outras nações.

Em 1913 por mais de 2 milhões de alemães eram associados de cooperativas de crédito. Destes, 80% viviam em comunidades com menos de 3000 habitantes. Esta distribuição contradiz os argumentos dos céticos que argumentavam que as pessoas pobres não reembolsariam os seus empréstimos, e que nenhum banco poderia fazer um lucro servindo os pobres Alemães.
O nome Raiffeisen ainda é utilizado pelo Raiffeisenbank, o maior grupo bancário da Áustria (com filiais em toda a Europa Central e Oriental), Rabobank (Holanda) e também é o nome de cooperativas agrícolas na Alemanha.
Leia a história completa da vida de Raiffeisen, sua idéia e outras informações no site da International Raiffeisen Union.

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DZ Bank Group - Cooperativismo de Crédito na Alemanha

sábado, 4 de outubro de 2008

O DZ Bank Group (Deutsche Zentral -Genossenschaftsbank) é o sexto maior banco da Alemanha.

DZ Bank Group e o WGZ são parte da rede de cooperativas financeiras, que inclui cerca de 1.232 bancos Raiffeisen, medido pelo balanço como uma das maiores organizações financeiras privadas da Alemanha. Dentro da rede financeira DZ BANK age como uma instituição central para os bancos cooperativos com seus escritórios e 12.000 bancários. Juntos eles detém entre 20 e 25% do mercado financeiro alemão.

DZ Bank Group para inclui a Bausparkasse Schwaebisch Hall, DG HYP (Deutsche Hypothekenbank Montgomery), DZ Bank Internacional, DZ PRIVATBANK Suíça, R+V seguros, TeamBank, a Union Investment Group, a VR Leasing e várias outras instituições.

Através da cooperação das empresas da DZ Bank Group, oferecem serviços para os bancos cooperativos e as seus cerca de 30 milhões de clientes.

DZ BANK dita tem três funções principais: banco central para 1.200 bancos, banco comercial e empresa holding.

  • Como um banco central DZ BANK oferece produtos do mercado de capitais, gestão de liquidez e de crédito corporativo;
  • Como um banco comercial em áreas selecionadas de crédito corporativo principalmente em médias empresas alemãs, é igualmente líder nos mercados de capitais, uma vez que atua fortemente com pequenos investidores.
  • Como uma holding fornece serviços e produtos líderes do mercado para os bancos individuais e apoia-os em suas operações.

Como um banco corporativo o DZ Bank atua principalmente em áreas de finanças corporativas e na renda fixa.

Veja o link com as demonstrações financeiras.



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DGRV - Modelo Cooperativista de Crédito Alemão

sexta-feira, 30 de maio de 2008

DGRV - Deutscher Genossenschafts und Raiffeisenverband e.V.
http://www.dgrv.org/main.php?action=&catid=62&template=cat_default.tpl
O Sistema DGRV (Cooperativismo na Alemanha) é um dos mais conhecidos modelos de Crédito Cooperativo no Mundo.

Descendente do modelo Raiffeisen o DGRV apresenta os seguintes números na Alemanha (base Dez/2007):
  • Bancos Cooperativos: 1.232 + 2 Centrais
  • Associados: 16 milhões
  • Clientes (associados + terceiros): 31 milhões
  • Penetração na População: considerando apenas os associados = 20% e considerando também os clientes = 38%
  • Ativos: 895 bilhões de Euros
  • Depósitos: 719 bilhões de Euros
  • Crédito: 825 bilhões de Euros
  • Reservas + Capital Social: 49 bilhões de Euros
  • Participação de mercado: 15,5% dos ativos
Na Alemanha, um Banco Cooperativo é Cooperativa:
  • Supervisionado pela Superintendência SFSF (Bundesbank = BACEN alemão)
  • Membro de uma Federação Regional de Auditoria;
  • Participa no Fundo de Proteção da Associação (BVR)
  • Paga impostos como um banco privado
  • Distribui sobras em função do capital social
  • É facultado de fazer todas as operações bancárias com associados e terceiros
Como é um Banco Cooperativo local típico na Alemanha (médio) ?
  • Ativos: média 510 milhões de Euros
    • Menor = 28 milhões de Euros
    • Maior = 33 bilhões de Euros
  • Empregados: aproximadamente 135
  • Associados: 13.000
  • Clientes: 25.000
  • Membros da Diretoria: 2
  • Membros do Conselho Fiscal: 10 a 12
  • Delegados: 130 - 1 por cada 100 associados

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História do Cooperativismo

domingo, 1 de fevereiro de 1970

O Nascimento do Cooperativismo

Remontando no tempo, vamos encontrar em 1610, com a fundação das primeiras reduções jesuíticas no Brasil, o início da construção de um estado cooperativo em bases integrais. Por mais de 150 anos, esse modelo deu exemplo de sociedade solidária, fundamentada no trabalho coletivo, onde o bem-estar do indivíduo e da família se sobrepunha ao interesse econômico da produção. A ação dos padres jesuítas se baseou na persuação, movida pelo amor cristão e no princípio do auxílio mútuo (mutirão), prática encontrada entre os indígenas brasileiros e em quase todos os povos primitivos, desde os primeiros tempos da humanidade.

Apesar de haverem defensores favoráveis ao vínculo da história do Cooperativismo com as reduções jesuíticas, foi na Inglaterra, dois séculos mais tarde, a criação da primeira Cooperativa mundialmente conhecida e reconhecida como tal.

Em 21 de dezembro de 1844 no bairro de Rochdale, em Manchester (Inglaterra), 27 tecelões e uma tecelã fundaram a "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale" com o resultado da economia mensal de uma libra de cada participante durante um ano.

Tendo o homem como principal finalidade - e não o lucro, os tecelões de Rochdale buscavam naquele momento uma alternativa econômica para atuarem no mercado, frente ao capitalismo ganancioso que os submetiam a preços abusivos , exploração da jornada de trabalho de mulheres e crianças (que trabalhavam até 16h) e do desemprego crescente advindo da revolução industrial.

Naquele momento a constituição de uma pequena cooperativa de consumo no então chamado "Beco do Sapo" (Toad Lane) estaria mudando os padrões econômicos da época e dando origem ao movimento cooperativista. Tal iniciativa foi motivo de deboche por parte dos comerciantes, mas logo no primeiro ano de funcionamento o capital da sociedade aumentou para 180 libras e cerca de dez mais tarde o "Armazém de Rochdale" já contava com 1.400 cooperantes. O sucesso dessa iniciativa passou a ser um exemplo para outros grupos.

O cooperativismo evoluiu e conquistou um espaço próprio, definido por uma nova forma de pensar o homem, o trabalho e o desenvolvimento social. Por sua forma igualitária e social o cooperativismo é aceito por todos os governos e reconhecido como fórmula democrática para a solução de problemas sócio-econômicos.

MODELOS COOPERATIVOS
A estrutura do cooperativismo de crédito organizou-se a partir da contribuição de Rochdale e de experiências como as de Schulze-Delitzsch, Raiffeisen e Haas, na Alemanha, Luzzatti e Wollemborg, na Itália.

1) SCHULZE-DELITZSCH
As cooperativas de crédito Schulze-Delitzsch surgiram por volta do ano 1849. Foram idealizadas por Hermann Schulze (1808-1883), magistrado nascido em Delitzsch, que fundou bancos populares entre os artesãos e foi o autor do projeto que serviu de base à elaboração do primeiro Código Cooperativo, promulgado em 27 de março de 1867, na Alemanha.
Schulze entendia que a associação é o meio encontrado pela sociedade para atuar de forma eficaz em setores que o Estado não consegue atingir.


As principais características do modelo por ele idealizado podem ser resumidas nos seguintes pontos:
a) não é associação classista, sendo permitida a participação de todas as categorias econômicas; todavia, dirige-se mais especificamente à classe média urbana;
b) o capital da sociedade é constituído através de quotas-partes integralizadas pelos associados, adotam o princípio de self-help;
c) há a constituição de fundo de reserva geralmente limitado a dez por cento do capital subscrito;
d) distribuição dos ganhos entre os sócios sob a forma de dividendo; e) responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios pelos negócios da entidade.

2) RAIFFEISEN
As cooperativas Raiffeisen foram idealizadas por Friedrich Wilhelm Raiffeisen (1818-1888) entre os anos de 1847 e 1848 como sociedade de auxílio-mútuo para atender às necessidades dos agricultores da região de Flammersfeld, Alemanha. Em 1854, Raiffeisen fundou outras sociedades dessa natureza em Heddesford, que posteriormente foram substituídas por cooperativas de crédito e cujo sucesso resultou na fundação de entidades semelhantes em outras localidades.
As cooperativas de crédito do tipo Raiffeisen fundamentam-se no princípio cristão de amor ao próximo e, embora adotem a ajuda mútua, admitem auxílio de caráter filantrópico.


Além dessas, apresentam outras características como:
a) responsabilidade solidária e ilimitada quanto aos negócios realizados pela sociedade;
b) grande valorização da formação moral do associados;
c) não remuneração dos dirigentes da sociedade;
d) não distribuição de retorno;
e) defesa da idéia de organização de um banco central para atender às necessidades das cooperativas de crédito.

3) HAAS
As cooperativas do tipo Haas foram inspiradas pelos dois modelos alemães citados acima, representando mais uma transição entre ambos. Foram idealizadas por Wilhelm Haas (1838-1913) com o intuito de consolidar a independência dos agricultores. Segundo ele, a cooperativa de crédito é capaz de obter, mediante o auxílio-mútuo, aumento do crédito agrícola, compra em comum de maquinaria e ferramentas a serem empregadas na agricultura, seguro agrícola, melhoria na qualidade e redução dos preços dos produtos, maior rapidez na exploração e transformação dos produtos agrícolas, entre outros benefícios6.
Haas não se preocupava com os aspectos éticos e cristãos da entidade cooperativa, interessando-lhe apenas o seu caráter econômico.


4) LUZZATTI
Sob a inspiração das cooperativas Raiffeisen e Schulze-Delistzsch, surgiram, além das cooperativas Haas, na Alemanha, outras cooperativas de crédito em diversos países. Entre estas destacam-se as do tipo Luzzatti e Wollemborg, na Itália.
As cooperativas do tipo Luzzatti, os chamados bancos populares, foram idealizadas por Luigi Luzzatti, político, escritor e professor universitário, publicou, em 1863, A difusão do crédito e o Banco Popular, obra em que expôs suas idéias a respeito do cooperativismo de crédito.

Os bancos populares Luzzatti adotavam o princípio do self-help, mas admitiam ajuda estatal sob a forma de suporte, até que a sociedade fosse capaz de assumir por sua própria conta e risco todas as responsabilidades do negócio.

São características desse tipo de cooperativa:

a) valorização das qualidades morais dos associados e fiscalização recíproca a fim de criar em favor da entidade um ambiente de confiança e idoneidade moral;

b) concessão de empréstimo através da palavra de honra;

c) não remuneração dos administradores.

5) WOLLEMBORG

As cooperativas Wollemborg surgiram na Itália a partir de 1883, com a criação de uma cooperativa de crédito em Pádua. Mais tarde, em 1884, Wollemborg escreveu Le casse cooperativi di prestiti, obra em que expôs as principais normas a serem adotas pelas cooperativas que idealizara. Em 1888, fundou uma federação de cooperativas de crédito na Itália.
Wollemborg admitia a responsabilidade solidária e ilimitada dos associados quanto aos negócios realizados pela entidade. Não se ocupava tanto do aspecto moral, mas preocupava-se mais com o caráter financeiro da sociedade. Não admitia a remuneração dos dirigentes, nem a distribuição de retorno.

6) DESJARDINS

No início do século XX (no ano de 1900) surgiu, no Canadá, o cooperativismo de crédito Desjardins. Idealizado por Alphonse Desjardins, essa espécie de cooperativa de crédito foi inspirada nos modelos Raiffeisen, Schulze-Delitzsch e Luzzatti, na tradição dos saving banks dos Estados Unidos e nos valores religiosos vivenciados por seu idealizador. O modelo criado por Desjardins unia as funções de poupança e de crédito popular com o intuito de, mediante o auxílio mútuo, criar nos cooperados o hábito da economia sistemática para o atendimento de necessidades profissionais, familiares e pessoais, bem como conduzi-los à prática da autogestão democrática e à autoproteção contra os abusos do sistema financeiro da época.

Preocupado em fortalecer as instituições cooperativistas e promover a unidade do movimento, Desjardins empenhou-se em construir um sistema federado, com um órgão centralizador que oferecesse a prestação de serviços de educação, assistência técnica, divulgação das cooperativas de crédito e promovesse a estabilização econômica dessas cooperativas mediante a constituição de uma Caixa Central. O modelo Desjardins de cooperativa de crédito teve rápida expansão em todo o mundo, inspirando, ainda hoje, grande parcela das cooperativas de crédito em funcionamento nos mais diferentes países.

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Idealizadores Cooperativistas

quinta-feira, 1 de janeiro de 1970

BIOGRAFIAS DOS PRINCIPAIS IDEALIZADORES COOPERATIVISTAS

Robert Owen

Nasceu em Newton, pequeno lugarejo do Condado de Montgomery, em 14/05/1771. Aos 9 anos de idade já havia lido os clássicos da literatura da época, permitindo discutir questões filosóficas. Em 1781 iniciou como comerciante de tecidos, aprendendo as técnicas de fiação e passou de aprendiz a co-proprietário de tecelagens. Começa a fazer parte da "Lit and Phil" de Manchester, sociedade de intelectuais e cientistas. Em 1799 casou- se com Caroline Dale, filha de um industrial e filantropo de Glasglow, com quem se inspirou e desenvolveu idéias de reforma social.

Para Owen a idéia de trabalho como fonte de felicidade e medida de valor era o principal alicerce ao princípio da cooperação. Decepcionado com outros empresários e governo, dirigia-se diretamente aos operários tentando a reforma social pela associação comunitária. Fundou então a Nova Harmonia, em 1828, no Estado de Indiana na América mas o empreendimento não deslanchou. Ao retornar para a Europa, retoma sua luta em prol de melhores condições de trabalho e de vida para seus operários. A repercussão da obra de Robert Owen em New Lanark atingiu todo o mundo civilizado, sendo convidado pela Academia Francesa em 1848 para conhecer a França, onde expôs seu plano sob o título de "Curta Exposição de um Sistema Social Racional".

Foi o precursor do sistema e hoje é conhecido como o "Pai do Cooperativismo Moderno". Robert Owen faleceu em 17 de novembro de 1858 e suas idéias serviram de inspiração aos Pioneiros de Rochdale.

Herman Schultze

Herman Schultze nasceu na cidade de Delitzsch, Alemanha, em 1808, onde exerceu a função de magistrado. Nas dificuldades econômicas, principalmente de 1846 a 1848, distinguiu-se pelo desempenho em atividades filantrópicas.

Seu maior êxito foi a organização de Bancos Populares, especialmente entre os artesãos que não conseguiam crédito a juros reduzidos. Em 1863 preparou um projeto de auxílio mútuo, apresentando-o ao Parlamento Prussiano. Em 27/03/1867, com base nesse projeto, foi promulgado o primeiro Código Cooperativo da Alemanha e do mundo. Herman Schultze faleceu em 1883.

Friedrich Raiffeisen

Friedrich Raiffeisen era natural da Romênia e nasceu em 1818. Durante os anos difíceis de 1847 a 1848, organizou cooperativas de crédito na Alemanha com o objetivo de atender as necessidades dos agricultores.

Sendo o mais velho de uma família de 9 irmãos, teve que assumir todos os encargos econômicos após a morte de seu pai. Levou uma vida de privações e tornou-se pastor da comunidade, fato que contribuiu para a sua formação religiosa.

Seu grande amor pela agricultura o fez procurar a solução para os problemas do crédito agrícola e fundou em Plammersfeld, com 60 habitantes do lugar, uma sociedade de auxílio-mútuo. Em 1850, organizou outras sociedades, Heddesford por exemplo, substituindo-as depois, por cooperativas de crédito e publicou um livro sobre o assunto.

Raiffeisen morreu em 1888 e a primeira cooperativa de crédito no Brasil (SICREDI Pioneira RS)fundada em 1902 pelo Padre Teodoro Amstadt em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, funciona até hoje e tem este modelo.

Charles Gide

Nasceu em Uzès, em 1847, numa pequena vila vizinha da cidade de Nimes. Foi Gide um dos principais sistematizadores da doutrina cooperativa, o mais destacado líder do Cooperativismo de Consumo, participante de uma escola de pensamentos em Nimes que liderava os rumos do sistema na França.

Em 1884 rompeu com a economia política clássica e no ano seguinte, pronunciou um discurso de abertura no 11º Congresso Cooperativo, realizado em Lyon. Sua proposta era fundar grandes armazéns de atacado para operar vendas em grande escala numa primeira etapa. Posteriormente, sua proposta era produzir tudo o que era necessário à sociedade e, depois, dominar a produção agrícola.

Segundo as próprias palavras: "eu lhes mostrei um fim imediato e presente: a educação econômica da classe operária pela associação cooperativa; e um fim mais distante: a emancipação da classe operária pela transformação do salário".

Gide foi professor de economia política no Colégio da França, professor honorário da Faculdade de Direito de Paris, representante do Cooperativismo francês em vários congressos da Aliança Cooperativa Internacional. Foi, também, autor de várias obras e publicações em revistas especializadas. Gide faleceu em 1932 interrompendo o sonho da "República Cooperativa".

Luigi Luzzatti

Nasceu em 1841 em uma família israelita de Veneza. Foi político, professor universitário, orador e autor de obras econômicas. Na juventude estudou em Berlim, Alemanha, onde conheceu Herman Schultze e adquiriu conhecimentos sobre o Cooperativismo de Crédito Urbano. Em 1863 publicou "A difusão do crédito e o Banco Popular", no qual expôs as suas primeiras idéias sobre as Cooperativas de Crédito.

O sistema criado por Luzzatti foi inspirado no de Herman Schultze, com adaptações para a realidade da Itália. Os primeiros Bancos Populares foram fundados por Luzzatti na Itália a partir de 1864. "Ajuda-te, Deus e o Estado te ajudarão" se tornou o lema Luzzattiano.

Luzzatti morreu em 1927 e seu modelo de cooperativa, no Brasil, vem sofrendo pressões por parte das autoridades. A primeira cooperativa neste modelo a ser constituída no Brasil foi a do município de Lajeado (SICREDI Vale do Taquari), Rio Grande do Sul, em 1905, pelo padre Teodoro Amstadt.

Alphonse Desjardins

Foi o criador do Cooperativismo de Economia e Crédito Mútuo e nasceu no povoado de Levis, província de Quebec no Canadá, em 1854. Graduou-se em 1870 e ingressou no jornalismo, interessando-se pelas causas sociais, com destaque para o problema da usura e da pobreza. Em viagem pela Europa estudou o sistema de Cooperativismo de Crédito desenvolvido na Alemanha (Raiffeisen) e na Itália (Luzzatti).

Com base nesses conhecimentos criou as Caixas Populares entre os canadenses, que eram abertas, permitindo a filiação de todas as pessoas da comunidade. As Caixas Populares Desjardins entraram nos Estados Unidos e sofreram alterações, formando as Cooperativas de Crédito fechadas, que só admitem sócios que sejam funcionários de uma mesma empresa ou que pertençam à mesma categoria profissional.

O sistema CUNA entrou para o Canadá e se expandiu pelas províncias de língua inglesa, inclusive em Antigonish na Nova Escócia, cujo modelo serviu de inspiração para Maria Thereza Teixeira Mendes criar, a partir de 1960, as Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo Brasileiras.

Desjardins faleceu em 31/10/1920 deixando mais de 140 Caixas Populares em atividade, agrupando 30.000 membros e ativos.

Leia Desjardins - Modelo Canadense

Edward Filene

Nascido em 1860 na cidade de Salen, em Massachussets. Foi o Secretário de Estado americano, que em visita a Moscou em 1921 disse ao Premier soviético, Wladimir Ilitch Lenin, que "se tivesse um filho que até os 21 anos de idade não fosse socialista, ele o deserdaria; e que, se este permanecesse socialista após os 21 anos, também seria deserdado". Desde cedo trabalhou para a manutenção da família.

Dedicado, juntou grande fortuna como comerciante, fato que não o impediu de lutar por uma distribuição da riqueza mais justa. Dando o exemplo, doou parte da sua fortuna pessoal para o desenvolvimento das Cooperativas de Crédito em seu país: as Credit Unions.

A idéia de união de créditos foi descoberta por Filene em uma de suas viagens para a Índia em 1907. De volta para casa, estudou o assunto e, em 1909, colocava em atividade a primeira Cooperativa de Crédito Geral de Boston.

Em 1921, incentivou a busca de legislações federais e o aumento de leis estaduais sobre Cooperativismo. Filene criou o Departamento Nacional de Cooperativas de Crédito, com a ajuda de Roy Bergengren e investiu mais de um milhão de dólares de seu próprio dinheiro nesse projeto de vida.

Roy Bergengren

Foi um advogado de Massachussets contratado por Filene para organizar Cooperativas de Crédito nos Estados Unidos e trabalhar para conseguir legislação favorável ao sistema com abrangência para todo o País.

Viajou pelos EUA fazendo lobby junto as Assembléias Legislativas para promulgarem leis favoráveis às Cooperativas de Crédito. Após ter conseguido seu intento em 45 estados americanos, trabalhou no Congresso Americano em Washington, conseguindo a promulgação de uma lei federal a favor do Cooperativismo.

Na sua cruzada pelos USA fundou milhares de Credit Unions, estando entre estas, a Cooperativa de Crédito dos Empregados da CUNA, fundada em 28/08/1935, em Maddison, no Wisconsin, sendo seu primeiro presidente.

Theodor Amstadt

Suiço e Padre jesuíta, desembarcou em Porto Alegre nos anos de 1885 aos 34 anos. Foi designado para atividades pastorais entre colonos e tornou-se importante líder rural e cooperativista. Sua atuação se destaca, principalmente na criação e funcionamento da Associação Riograndense de Agricultores. Foi fundador da primeira Cooperativa de Crédito no Brasil em 1902, modelo Raiffeisen (conheça a história da SICREDI Pioneira RS) no município de Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul.

Podemos considerá-lo o pai do Luzzattismo brasileiro por ter criado a primeira Cooperativa tipo Luzzatti, no município de Lajeado (SICREDI Vale do Taquari RS), Rio Grande do Sul, em 1905.

Durante 53 anos atuou como sacerdote e promotor do bem estar sócio-econômico dos agricultores.

Diretamente fundou 15 Cooperativas de Crédito entre 1902 e 1923.

A partir desta data até 1928, colaborou na constituição de outras 26 Cooperativas. Trabalhando para a consolidação do sistema, contribuiu para a criação da primeira Central de Cooperativas de Crédito do Brasil, em 1925, em Porto Alegre, falecendo em 1938.

Maria Thereza Teixeira Mendes

Filha de tradicional família do Rio de Janeiro, escreveu seu nome na história do Cooperativismo. Em 1960 foi fundadora da primeira Cooperativa de Crédito Mútuo do Brasil: Cooperativa de Crédito Mútuo dos Empregados da CNBB, com 80 cooperados.

Em agosto de 1961, surgiu a Federação Leste Meridional das Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo, a FELEME. Nos anos seguintes, sob o comando de Terezita, mulher pequena mas de fibra e persistência férrea, a FELEME deslanchou. A FELEME transformou-se em uma mística e, mesmo sendo substituída por Federações nos Estados, ainda deixa marcas nos Congressos da Confebrás.

Fonte: OCB/ES

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