Política monetária: Ata diz que estão concluídos os esforços para tirar a economia da recessão
31/07/09 - A ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada ontem, deu sinais bastante claros de que o ciclo de afrouxamento monetário chegou ao fim, após um corte acumulado de cinco pontos percentuais entre janeiro e julho, de 13,7% para 8,75% ao ano.
O BC dá como concluídos os esforços para retirar a economia da recessão. "Importantes estímulos monetários e fiscais foram introduzidos na economia nos últimos meses, e deverão contribuir para a retomada da atividade e, consequentemente, para a redução da margem de ociosidade dos fatores produtivos", afirma a ata divulgada ontem.
No documento, o Copom revela que alguns dos seus membros chegaram a defender não baixar os juros. Mas acabaram fechando em torno do consenso de fazer um corte de 0,5 ponto percentual, de 9,25% para 8,75% ao ano. "Apesar de alguns membros do comitê entenderem que haveria respaldo para a possibilidade de manter inalterada a taxa básica de juros já nesta reunião, houve consenso de que o balanço de riscos para a trajetória perspectiva central de inflação ainda justificaria estímulo monetário adicional", afirma a ata.
Na ata divulgada ontem, foi eliminada qualquer referência sobre possível espaço para juros menores no futuro. Em junho, o Copom havia informado que seus membros haviam chegado a uma avaliação "convergente" de que ainda havia espaço para uma distensão monetária residual. O BC diz que os estímulos monetários feitos até agora devem ser "cuidadosamente monitorados ao longo do tempo" e devem ser levados em conta nas reuniões futuras do colegiado. O Copom volta a se reunir nos dias 1 e 2 de setembro e a aposta dominante dos analistas econômicos do mercado financeiro é que os juros sejam mantidos em 8,75%.
Entre as reuniões do Copom de junho e de julho, o mercado aumentou de 4,33% para 4,53% sua projeção de inflação para 2009. A previsão dos analistas para 2010 subiu de 4,3% para 4,41% (mais recentemente, recuou levemente, para 4,4%). Outro fator negativo são os estímulos fiscais, que são mais fortes. Em junho, a ata dizia que o BC trabalhava com a hipótese de superávit primário de 2,5% em 2009 e de 3,3% em 2010. Na ata divulgada ontem o BC diz que essas metas poderão ser ajustadas para baixo em 0,5 ponto percentual em 2009 e em 0,65 ponto percentual em 2010 para acomodar investimentos do governo.
"O Copom assinala, também, que, em torno desse cenário básico, existem incertezas, com viés tanto positivo quanto negativo, sobre o ritmo de recuperação da atividade econômica", afirma o documento.
Uma das principais incertezas apontadas pelo BC é como os cortes feitos até agora na taxa básica de juros, que atinge os menores patamares da história, vão chegar à atividade econômica, que também recebe estímulos fiscais. Os cálculos do BC indicam que cortes de juros levam cerca de nove meses para terem seu efeito máximo na atividade econômica e 12 meses para chegar à inflação.
Especialistas do mercado financeiro esperam que a taxa permaneça inalterada até setembro/2010. (leia)
Fonte: Valor Online