A ONU e as cooperativas, por Rui Schneider da Silva

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu o modelo de negócio cooperativo como um fator importante para o desenvolvimento econômico e social dos países. A decisão foi tomada no dia 18 de dezembro, durante a 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que aprovou a resolução sobre As Cooperativas e o Desenvolvimento Social e declarou 2012 como Ano Internacional das Cooperativas.

O cooperativismo proporciona 100 milhões de empregos em todo o planeta. Presente em mais de cem países, é uma rede que engloba cerca de 800 milhões de pessoas, cujas famílias e agregados alcançam a impressionante cifra de 2,5 bilhões de seres humanos, ou 40% da população global. Suas regras são simples, baseadas em sete princípios que valorizam a ética e a solidariedade.

O Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), líder no mercado nacional e catarinense, tem realizado um esforço para difundir as vantagens do cooperativismo, em geral, e do segmento de crédito em especial. Em Santa Catarina, o Sicoob possui 42 cooperativas presentes em 185 municípios, com 275 agências. É importante ressaltar que, depois do Banco do Brasil, o Sicoob é a instituição financeira que dispõe do maior número de agências estabelecidas em nosso Estado.

O reconhecimento da ONU à força e à importância do cooperativismo permitirá que um número cada vez maior de pessoas, no mundo inteiro, descubra que existe uma forma solidária de fazer negócios, uma forma segundo a qual o lucro é dividido entre os participantes e todos são donos do próprio negócio.

Fonte: ClicRBS

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WOCCU divulga estatisticas de 2008

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Woccu, Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito, divulgou o relatório anual estatístico com dados baseados no ano de 2008.

O relatório será apresentado oficialmente no Congresso Mundial das Cooperativas de Crédito que ocorrerá neste mês em Barcelona na Espanha.

O relatório completo pode ser obtido no site da Woccu. Clique aqui. O arquivo possui 6Mb.
Os dados do Woccu não podem ser analisados isoladamente. Veja tópico a respeito no link.

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Credit Agricole aumenta sua participação acionária no CACEIS

domingo, 12 de julho de 2009

Jul-09 - França - O banco cooperativo Credit Agricole e o banco Natixis concluíram negociação de compra e venda de 35% da participação acionária do CACEIS.

Atualmente o Credit Agricole detêm 50% de participação no CACEIS e o Natixis detêm outros 50%. O Credit Agricole pretende adquirir 35% da participação do Natixis por EUR 595 milhões.

O CACEIS (http://www.caceis.com/) é um grupo bancário dedicado à clientes corporativos e institucionais e administra EUR 2,2 trilhões em Ativos em custódia e EUR 950 bilhões em Ativos para administração direta.
O CACEIS possui 12 escritórios em toda a Europa e América do Norte e conta com 3.730 empregados.

Segundo dados disponíveis no site do CACEIS ele é o 10º maior administrador de ativos do mundo, o 4º maior da Europa e o 1º na França.

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Dia Internacional do Cooperativismo

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mensagem da Aliança Cooperativa Internacional

4 de Julho de 2009 - "As cooperativas são mais resistentes às crises do que outros modelos de empresa, de acordo com um recente estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) a pedido da ACI. As cooperativas de crédito têm se mantido sólidas, financeiramente; as cooperativas agrícolas, em muitas partes do mundo, estão obtendo resultados positivos, as cooperativas de consumo estão incrementando seu volume de negócios e as cooperativas de trabalho associado continuam crescendo. Cada vez mais, as pessoas estão escolhendo o modelo de empresa cooperativa para enfrentar as novas realidades econômicas.

Por que as cooperativas são capazes de sobreviver e, de fato, prosperar em situações de crise e ir mais além?

É o modelo. A empresa cooperativa é um modelo de empresa alternativa, que em lugar de enfocar o lucro focaliza as pessoas, aumentando o poder dessas pessoas no mercado, enquanto baliza suas operações nos princípios e valores cooperativos.

Em muitos países e em muitos setores do mundo, a empresa cooperativa está crescendo em associados, capital e volume de negócios. As cooperativas estão contribuindo de maneira significativa para a manutenção e a geração de novos empregos e, portanto, garantindo a renda das famílias. Elas estão assegurando que os preços se mantenham em níveis razoáveis e que os bens de consumo no varejo, alimentos e serviços continuem seguros, confiáveis e de boa qualidade. As instituições financeiras cooperativas têm registrado um aumento de capital devido ao reconhecimento dos consumidores da segurança e da confiabilidade das cooperativas de crédito, bancos cooperativos e cooperativas de seguros, que, em muitos casos, também, continuaram a fornecer crédito a pessoas físicas e pequenas empresas. Ao fazer isso, estão demonstrando que o negócio cooperativo é sustentável e que as empresas embasadas em valores éticos podem ter êxito e contribuir para uma recuperação econômica sustentável.

Os economistas, o mundo acadêmico e a comunidade internacional estão desesperados buscando respostas sobre a forma de estimular a recuperação mundial e, ao fazer isso, estão começando a questionar o atual modelo econômico que perdeu a confiança dos responsáveis políticos, assim como da maioria das pessoas. Eles estão aguardando a regulação dos mercados e das instituições financeiras, em particular, para assegurar operações mais éticas e transparentes. Nesta busca, todavia, também estão redescobrindo e reconhecendo o potencial das cooperativas em contribuir, de maneira significativa, para um novo sistema econômico.

Muitos governos estão considerando a opção cooperativa neste novo contexto econômico, seja para estimular a produtividade agrícola, seja para reorganizar os sistemas nacionais de proteção social, tal qual se pode observar no recente debate da reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos e a proposta de criar cooperativas de saúde. A contribuição das cooperativas na recuperação dos países está sendo reconhecida por eles, que estão, cada vez mais, estimulando os cidadãos a escolher as empresas cooperativas para atender as suas finanças, a fim de aumentar a produtividade e o bem estar geral.

O movimento cooperativo terá que trabalhar os responsáveis políticos para assegurar o reconhecimento da natureza específica das cooperativas. Elas não podem estar excessivamente reguladas e a sua natureza, essencialmente anti-risco, deve ser compreendida. Uma resposta política consistente e bem articulada é crucial para garantir que elas não sejam prejudicadas nas mudanças do contexto regulatório. Somente com políticas apropriadas, as cooperativas continuarão a ser capazes de impulsionar a recuperação mundial.

Embora alguns analistas digam que, para a economia mundial o pior já passou e que é provável que a recuperação comece no final deste ano, a recessão e o impacto afetarão todas as empresas. Muitas cooperativas tentarão sobreviver a qualquer preço, inclusive renunciando a sua natureza cooperativa, mas existem muitas evidencias demonstrando que colocar os princípios e valores cooperativos em prática pode ser o fator decisivo para uma sustentabilidade a longo prazo. Agora é hora de ressaltarmos o valor da natureza cooperativa.

O movimento cooperativo se depara com uma oportunidade única. Deve superar o desafio de demonstrar que o modelo cooperativo de empresa é o melhor modelo alternativo de negócios para o futuro. As cooperativas estão demonstrando que são o motor, não somente para impulsionar o desenvolvimento econômico, mas também, a democracia econômica e política, bem como a responsabilidade social. As cooperativas oferecem uma forma mais justa de fazer negócios, onde os valores sociais e ambientais contam, não somente como algo a fazer, se você puder fazer, mas que são, simplesmente, parte da maneira de fazer negócios.

Neste Dia Internacional das Cooperativas, a ACI faz um chamamento aos cooperativistas de todo o mundo para reforçar seus compromissos com os valores e princípios cooperativos, celebrar os êxitos nestes tempos difíceis e trabalhar em parceria para assegurar que continuem a impulsionar a recuperação global em todo o mundo."

Fonte: Informe OCB

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SICREDI comemora o Dia Internacional do Cooperativismo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

SICREDI comemora Dia Internacional do Cooperativismo

O Sistema de Crédito Cooperativo – SICREDI une-se às demais instituições cooperativistas e comemora no próximo dia 4 de julho, sábado, o 87º Dia Internacional do Cooperativismo, que este ano tem o tema “Impulsionar a recuperação global por meio das cooperativas”. De acordo com a Aliança Cooperativa Internacional – ACI, a escolha do tema centra-se na oportunidade das cooperativas destacarem que elas não promovem somente o crescimento econômico, mas também promovem seus valores éticos de honestidade, responsabilidade social e ajuda mútua. A instituição ainda destaca que as cooperativas são empresas que podem contribuir eficazmente para a recuperação econômica global, porém sem deixar de lado o respeito aos valores e aos princípios do cooperativismo.


O SICREDI, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, reúne 59 cooperativas de crédito, que atuam em cerca de 450 municípios seguindo os sete princípios do cooperativismo elaborados pela ACI. “Trabalhamos de acordo com esses princípios. Acreditamos que o cooperativismo é uma alternativa para o desenvolvimento sócio-econômico das comunidades”, afirma Orlando Borges Müller, presidente da Central SICREDI Sul. Entre os princípios estão a intercooperação, o interesse pela comunidade, a educação, formação e informação e a gestão democrática. O cooperativismo é divido em 13 ramos: crédito, agropecuário, trabalho, educacional, produção, saúde, consumo, habitacional, infra-estrutura, mineral, especial, transporte e turismo e lazer.

No mundo, em torno de 800 milhões de pessoas são vinculadas a mais de 1,3 milhão de cooperativas. Além disso, as cooperativas geram 100 milhões de empregos nos mais de cem países onde estão presentes. Alguns números podem representar a relevância do cooperativismo no mundo: na Ásia, 43 milhões de pessoas são associadas a cooperativas de crédito; na Nova Zelândia, cooperativas são responsáveis por 22% do Produto Interno Bruto (PIB); e na Alemanhã, mais de 20 milhões de pessoas ou 24% da população está ligada ao cooperativismo.

Os números do setor no Brasil mostram que o cooperativismo nacional está no caminho certo e tem demonstrado seu poder econômico e social ao longo dos anos. As 7.600 cooperativas brasileiras têm mais de 7 milhões de associados e geram 255 mil empregos. Em dez anos, houve um aumento de 50% no número de cooperativas, o número de associados foi incrementado em 80% e a geração de empregos subiu 40%. Em 2008, as cooperativas do Brasil responderam por US$ 4 bilhões em exportações, representaram 6% do PIB nacional e tiveram faturamento de R$ 82 bilhões.

Fonte: SICREDI

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Nasce o 2º maior banco da França

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Conselho de Administração da Banque Fédérale des Banques Populaires (BFBP) e do conselho fiscal da Caisse Nationale des Caisses d'Epargne (CNCE), anunciaram que no dia 31/07/09 será constituído oficialmente o BPCE, denominação oriunda da união de nomes "Banque Populaire et Caisse d'Epargne".

A fusão dos dois sistemas cooperativos cria o 2º maior banco da França, logo após do banco cooperativo Credit Agricole que deterá de 22% do mercado financeiro do país, com 8.000 agências urbanas e rurais, 7 milhões de associados, 33 milhões de clientes, 110.000 funcionários, EUR 40 bilhões em Patrimônio Líquido, EUR 480 bilhões em depósitos.

Na França mais de 60% dos ativos financeiros são movimentados por Bancos Cooperativos.
Banques Populaires e Casses d´Epargne já possuem negócios conjuntos. O Banco Natixis do qual são proprietários é o 50º maior banco do mundo.
Fonte: Groupe Caisse Epargne

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Apenas 15% dos brasileiros atuam em cooperativas

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Só 15% dos brasileiros atuam em cooperativas

Metade da população do mundo é ligada ao cooperativismo mas no Brasil esse sistema ainda engatinha, representando pouco mais de 15% da população. Falta ao País educação cooperativista e uma legislação atual.

O cooperativismo é um sistema socioeconomico fundamentado em princípios e valores que buscam o bem-estar compartilhado por todos. Com 3,2 bilhões (50%) da população mundial ligada a essa doutrina ela pode ser a ponte que vai levar à paz universal e à democracia porque combate a exclusão social e a concentração de renda. Tudo isso foi destacado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues em sessão solene, realizada ontem na Assembleia Legislativa do Ceará, para comemorar o Dia Internacional do Cooperativismo.

Preocupado com a perda de protagonismo e força de instituições como a Organização das Nações (ONU) e Organização Mundial do Comércio (OMC) e a erosão da democracia, Rodrigues diz que quanto mais organizada a sociedade mais desenvolvida ela é. Referência para o cooperativismo, considera que as cooperativas são aliadas perfeitas de governos democráticos porque é a melhor opção de desenvolvimento econômico e social.

Segundo Rodrigues, no Brasil o sistema só atinge cerca de 15% da população porque falta educação cooperativista e uma legislação atual. A Lei das Sociedades Cooperativas é de 1971. Ele observa que até a Constituição de 1988 já dá autogestão para as cooperativas. Considera ainda que aqui as cooperativas são tratadas como alternativa. Desenvolvendo o sistema cooperativista o ex-ministro acredita que o Brasil pode liderar uma reforma global a partir da mudança de paradigma da energia dos bicombustíveis. Explica que o País pode ser o maior produtor porque detém a tecnologia, além de poder exportá-la para os países tropicais. Avalia que o Brasil tem a chance de liderar uma reforma geopolítica global. "Mas só se nos organizarmos", disse.

Roberto Rodrigues também falou ao O POVO sobre o agronegócio brasileiro. Afirma que tem as melhores condições do mundo para crescer porque tem área disponível, a melhor tecnologia tropical e agricultores modernos e eficientes. Adianta que falta resolver os eternos problemas estruturais de logística (estradas, portos etc), a tributação rural e reformar o crédito. Para ele, se tudo isso for feito o setor vai gerar emprego e renda para todo o Pais. Hoje os negócios da agropecuária já representam 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e geram 37% dos empregos do País. Nos quatro primeiros meses de 2009, o setor concentra 43% das exportações.

Durante a sessão solene, Rodrigues, recebeu placa de homenagem entregue pelo presidente da Organização das Cooperativas do Brasil no Ceará, João Nicédio Alves Nogueira. A Assembleia Legislativa também entregou placas a outras personalidades como o diretor técnico do Sebrae-CE, Alci Porto.

Fonte: O Povo

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Inadimplência na Espanha no valor mais alto desde 1996
O crédito inadimplente nos bancos, caixas de poupança e cooperativas de crédito espanholas atingiu em Março os 4,17%, a taxa mais elevada de incumprimento dos últimos 13 anos.

De acordo com dados do Banco de Espanha, citados pela imprensa espanhola, esta tendência de subida do incumprimento registou uma brusca desaceleração no último mês do primeiro trimestre do ano, já que a subida relativamente a Fevereiro foi de apenas quatro pontos base.

No mês anterior a subida havia sido de 33 pontos base e em Janeiro, face a Dezembro, de 51 pontos base.

As caixas de poupança espanholas registaram uma ligeira descida do malparado, que passou de 4,84% para 4,78%. No entanto, há um ano o incumprimento nestas instituições era de 1,23%.

Os bancos, por seu lado, registaram uma subida da taxa de incumprimento, que em Fevereiro era de 3,44% e em Março de 3,57%. Há um ano esta taxa estava nos 0,97%.

Nas cooperativas de crédito este indicador cresceu de 3,42% para 3,59%. Se se incluírem também as sociedades de crédito, onde esta taxa é de 7,9%, o rácio de crédito malparado total do sistema situa-se nos 4,28%.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=368364

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Cooperativas de Crédito na Argentina

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Cooperativismo de Crédito na Argentina

O texto abaixo foi recebido do Sr. Daniel Plotinsky, Director do Archivo Histórico del Cooperativismo de Crédito da Argentina via email. É muito gratificante quando recebemos contribuições voluntárias sobre o tema do cooperativismo de crédito, ainda mais quando vem de outros países.

REFERÊNCIAS HISTÓRICAS:

O cooperativismo de crédito, no Argentina, desenvolveu-se a partir de quatro tipos de instituições:
  1. Bancos Populares (1887 - 1912)
  2. Caixas Rurais (1911 - 1930)
  3. Caixas Regionais de Empréstimos e Poupança (1941 - 1950)
  4. Caixas de Crédito
Estas últimas, foram as únicas que atingiram um significativo nível de desenvolvimento e permanência. Nasceram no começo do século XX como entidades mutualistas da coletividade judaica onde se organizavam os imigrantes de acordo com a sua atividade econômica ou seu lugar de origem. Seus integrantes tinham acesso, através destas instituições, aos meios de produção necessários ou ao financiamento de pequenas quantias de dinheiro para se instalar no país.

As primeiras experiências deste tipo foram a Cooperativa de Crédito La Capilla (Ing. Sajaroff, Entre Ríos, 1913) e a Primera Cajá Mercantil Coop. Ltda. no bairro portenho de Villa Crespo (1918).

ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO: Com o decorrer dos anos, as cooperativas de crédito foram atravessando diferentes etapas:

1. CRESCIMENTO VEGETATIVO (1913 - 1957)
As Caixas de Crédito tiveram um lento crescimento e sobressaíram pelo fato de misturar características cooperativas e mutualistas. Basicamente, funcionavam com capital próprio ou formas inorgânicas de poupança e cobriam as necessidades da atividade artesanal e comercial nas cidades e dos arrendatários e colonos rurais. A maioria destas Caixas, além do mais, financiavam as atividades de bibliotecas, escolas, clubes e outras instituições comunitárias.

Na metade da década de quarenta as Caixas de Crédito começaram a refletir o desenvolvimento industrial que se produzia na Argentina, conseguindo um pequeno crescimento e diversificação dos setores atendidos. Neste entorno, algumas cooperativas começaram a desenvolver operações de Contas à Vista com Ordens de Pagamento como forma de negociar seus saldos. Em 1950 quatorze entidades criaram a Federación Argentina de Cooperativas de Crédito para coordenar a representação do grêmio e o assessoramento jurídico e contábil.

O Golpe de Estado de 1955 que depôs ao governo chefiado por Juan Domingo Perón modificou as regras do jogo econômico. As reformas no sistema financeiro impulsionadas pela autoproclamada Revolução Libertadora caracterizaram-se por:
  1. Abolir o regime de "depósitos nacionalizados" estabelecido pelo governo peronista em 1946.
  2. Diminuir significativamente as prestações de crédito dos bancos públicos.
  3. Favorecer a penetração da banca estrangeira e impulsionar a radicação de capitais externos como motor do desenvolvimento econômico argentino.
  4. Intensificar as restrições à assistência de crédito para as pequenas e médias empresas do capital nacional.

Neste contexto, um grupo de dirigentes cooperativos se propôs a dinamizar a função das caixas de crédito transformando-as em pequenos "bancos populares" que pudessem financiar a atividade da pequena e média empresa nacional.

2. DESENVOLVIMENTO (1958 - 1966)
O agente impulsionador desta transformação foi o Instituto Mobilizador de Fondos Cooperativos Soc. Coop. Ltda. (IMFC), entidade de 2º. grau criada a pedido do Congresso Argentino da Cooperação realizado na cidade de Rosario em novembro de 1958. Entre seus principais objetivos iniciais manifestava-se a vontade de impulsionar as idéias solidárias e contribuir para a criação de novas cooperativas de crédito em cada bairro e localidade do país.

A partir da criação do Instituto, a difusão da Ordem de Pagamento que começou a funcionar com dificuldades, foi se ampliando aos passos até conseguir se impor. Atendida sua compensação Intercooperativa pelo IMFC, a Ordem de Pagamento converteu-se rapidamente num instrumento de pagamento de circulação crescente, tanto que facilitava a captação e sedimentação dos recursos financeiros dos pequenos e médios empresários e beneficiava sua colocação em créditos acessíveis para os mesmos setores. Impulsionou também um enérgico crescimento das entidades, o que demonstrou a existência de condições e necessidades objetivas para seu desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o objetivo fundacional de promover a criação de novas cooperativas foi atingido com bom sucesso. Entre 1958 e 1966 as caixas de crédito passaram de 197 (124 das quais estavam instaladas em Buenos Aires) a 974, distribuídas pelo país todo.

As novas cooperativas eram criadas por grupos de vizinhos que se apresentavam à convocatória do Instituto Mobilizador, ou que agiam motivados pelo sucesso de instituições criadas em bairros ou localidades vizinhas. São organizações que nascem em forma democrática, escolhem suas autoridades e promovem a idéia da participação ativa na gestão da entidade social que eles mesmos estão criando.

A rápida expansão do cooperativismo de crédito começou a inquietar ao capital financeiro e seus representantes, principalmente pelo provado e demonstrado papel das perspectivas do crédito solidário. Esta inquietação manifestou-se através de campanhas de imprensa e tentativas normativas restritivas que não chegaram a prosperar de certo pela capacidade de mobilização do movimento solidário.

3. ATAQUES, RESTRIÇÕES E RECUPERAÇÃO PARCIAL (1966 - 1976)

Em 1966, o governo da autodenominada "Revolução Argentina" chefiada pelo Gral. Onganía iniciou, assim tomou o poder, um ataque duplo ao movimento cooperativo: pôs em vigor uma normativa restritiva de sua operatória financeira e promoveu, nos principais meios de imprensa, uma campanha difamatória contra as autoridades do I.M.F.C. com o objetivo de provocar uma crise de confiança com a conseguinte "correria" entre os poupadores.

Superado o desconcerto dos primeiros momentos, dirigentes e associados começaram a transitar o difícil caminho da reconstrução. No aspecto operativo, procedeu-se ao reembolso progressivo dos depósitos à medida que a carteira de empréstimos se recuperava, ao mesmo tempo que se habilitou uma nova operatória restritiva já que a proibição de endossar e compensar as Letras de Câmbio dificultava sua aceitação generalizada e obstaculizava a captação de depósitos afetando substancialmente a normal rentabilidade das entidades. No aspecto institucional, o movimento cooperativo começou uma longa luta para atingir o restabelecimento das faculdades limitadas em forma arbitrária.

Embora o esforço realizado para reverter a situação, das quase 1.000 cooperativas de crédito existentes na metade de 1966, unicamente puderam chegar em funcionamento ao momento da restauração democrática em 1973, pouco mais de 400. A brevidade do período constitucional impediu que as potenciais perspectivas pudessem se desenvolver, motivo pelo qual as ulteriores entidades unicamente puderam se recuperar de forma parcial nesse período.

4. TENTATIVA DE DESTRUIÇÃO TOTAL E TRANSFORMAÇÃO EM BANCOS COOPERATIVOS (1976 - 1979)

Em março de 1976 a continuidade institucional foi interrompida de forma violenta na Argentina, e as Força Armadas assumiram novamente o Governo dando início ao auto-denominado "Processo de Reorganização Nacional".

A crise capitalista internacional de 1973 significou, nos países periféricos, como Argentina, o esgotamento do modelo baseado na industrialização substitutiva, o pleno emprego, o Estado benefactivo e o crescimento da classe trabalhadora.

Na Argentina, o ciclo histórico anterior deu passo ao projeto de restabelecimento da ditadura militar que instalou uma nova "modernização" selvagem, autoritária e excludente. A aliança entre o poder militar e o novo poder econômico apontou a transformações estruturais da sociedade argentina que se transformariam num ponto de partida irreversível para os governos constitucionais posteriores à ditadura.

Nesse entorno, o ministério de economia chefiado por José Alfredo Martínez de Hoz elaborou um anteprojeto de Lei de Entidades Financeiras que apontava a liquidar ao cooperativismo de crédito planejando a eliminação da forma jurídica cooperativa como base da estrutura de serviços bancários.

Por meio de uma importante mobilização político-social chefiada pelo IMFC logrou-se alterar de forma parcial o propósito inicial, já que a "Lei" 21.526 de Entidades Financeiras (1977) vedava às Caixas de Crédito a possibilidade de operar em Contas à Vista mais lhes outorgava a possibilidade de se transformarem em Bancos Comerciais conservando sua forma jurídica cooperativa.

Como resultado desta situação, 273 das 375 Caixas de Crédito existentes optaram por se transformar em Bancos Cooperativos. Delas, 41 Caixas afrontaram essa transformação de forma individual e 232 o fizeram fusionando-se com outras, dando assim origem - entre 1978 e 1979 - a um total de 77 novos Bancos Cooperativos. Destes, na atualidade, unicamente sobrevive: o Banco Credicoop Coop. Ltdo.

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Banco Credicoop Cooperativo Limitado

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Banco Cooperativo CREDICOOP é foi criado em 1979 através da fusão de 44 Caixas de Crédito Cooperativo, algumas com mais de 60 anos de experiência, sendo a mais antiga de 1918. É uma entidade sem fins lucrativos, com base no princípio da solidariedade e ajuda mútua, destina-se a prestar serviços financeiros a todos os seus parceiros.

Credicoop é gerido pelos seus próprios membros, que elegerá, por força do princípio de "um sócio, um voto", o Conselho de Administração. Além disso, cada parceiro pode participar na vida institucional do banco através das Comissões de Parceiros em cada subsidiária operacional e trabalhar com o Conselho de Administração.

Hoje, com 244 filiais em todo o país, Credicoop é o primeiro banco privado de capital 100% nacional.

O Credicoop membro da Associação Internacional dos Bancos Cooperativos e é o único latino-americado filiado à Confederação Internacional de Bancos Cooperativos.

Alguns números do Banco Credicoop com data base Jun/08:
  • Ativos Totais: R$ 6 bilhões
  • Volume de Depósitos: R$ 4,3 bilhões;
  • Empréstimos: R$ 2,7 bilhões;
  • Associados: 671 mil
  • Sobras até 30/06/08: R$ 61 milhões;

Fonte: CREDICOOP

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Associação Européia dos Bancos Cooperativos divulga dados de 2007

terça-feira, 21 de abril de 2009

A EACB (European Association of Cooperative Banks) divulgou recentemente os dados consolidados do ano de 2007 dos 27 Bancos Cooperativos à ela filiados.

Os dados reportam 60 milhões de associados e 209 milhões de clientes nos mais de 64.000 pontos de atendimento localizados na Europa.
Na União Européia os Bancos Cooperativos detinham em 2007 21% do total dos depósitos bancários e 18% dos empréstimos, demonstrando a grande força das Sociedades Cooperativas naquele continente.

Veja os dados completos
clicando aqui.

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Não nos culpe pela crise, não somos banco !

sábado, 11 de abril de 2009

"Não somos Banco" - Esta é a campanha realizada na Polônia pelas Cooperativas de Crédito
Serão duas semanas de anúncios em horário nobre

Um cartaz dizendo, "Não culpe nós! Não somos bancos", faz parte do marketing para garantia de uma nova campanha reposicionamento das Cooperativas de Crédito da Polônia em face da crise econômica mundial.

Com a crescente crise econômica global mais perto da Polônia, as cooperativas de crédito do país tem procurado diferenciar-se da concorrência, composta principalmente de bancos de propriedade estrangeira. O seu resultado de duas semanas campanha publicitária criou um frenesi de publicidade no setor dos serviços financeiros da Polônia.
A mensagem desenvolvida pela Associação Nacional das Cooperativas de Crédito e Sindicatos de Poupança (NACSCU), atraiu a atenção dos consumidores e a ira dos banqueiros. Mais importante ainda, a campanha também define a diferença entre as cooperativa polonesas que funcionam como uma marca colectiva sob a sigla SKOK, e os seus concorrentes, segundo Grzegorz Bierecki, NACSCU do presidente.

Neste momento, os bancos da Polônia não estão percebendo quaisquer problemas maior, mas isso não é a verdade de um número de bancos estrangeiros. Uma vez que cerca de 70 por cento dos bancos da Polônia são sediados em outros países, as questões econômicas estrangeiras em breve afetarão a Polônia e os fins lucrativos destas instituições financeiras, caso já não o tenham feito.

"A Polônia não é uma ilha, e queríamos nos diferenciar claramente entre o setor bancário", disse Grzesik. "Temos recebido notícias de que algumas dessas instituições já estão à beira da crise de liquidez, e nós assumimos que os problemas financeiros, da Roma, Frankfurt e Paris, em breve encontrarão seu caminho para a Polônia."

"Os bancos queriam proibir a campanha", disse Grzesik. "Eles disseram que os anúncios sugerem que os bancos da Polônia não são seguras, algo que nunca dissemos. Estamos apenas dizendo que as cooperativas não foram envolvidas na criação da crise financeira global, e isso é um fato."

Fonte: Woccu

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Governo dos EUA assume o controle de duas das maiores cooperativas de crédito do país

sexta-feira, 20 de março de 2009

Governo americano assume o controle de duas cooperativas de crédito
Juntas, empresas possuem ativos de US$ 61 bilhões. Companhias tiveram perdas com títulos de hipotecas.

As autoridades americanas anunciaram no dia 20/03/09 que colocaram sob a tutela do Estado as cooperativas de crédito US Central e a Wescorp. A National Credit Union Administration (NCUA) entidade que supervisiona o setor nos EUA, afirmou que ambas as instituições tinham "uma concentração inaceitavelmente alta de risco".

Segundo o Relatório da ACI (Aliança Cooperativa Internacional), o Global 300 Cooperative, a US Central é hoje a 18ª maior instituição cooperativa do mundo e a Wescorp é a 23ª. A US Central é uma Central para as Cooperativas de Crédito e a Wescorp é a maior Cooperativa de Crédito dos EUA. A US Central é baseada em Lenexa, Kansas, e a WesCorp é de San Dimas, Califórnia. (leia mais)

Em comunicado, o órgão regulador anunciou que as operações das companhias "vão continuar normalmente" e que não haverá nehum impacto para os 90 milhões de associados das Cooperativas de Crédito do país.

O órgão regulador informou que decidiu assumir as uniões de crédito após finalizar uma análise detalhada e "testes de stress" financeiro nas instituições.

PERDAS
Uma regra dos sistema financeiro americano permite que ele assuma a administração dessa tipo de companhias. Várias das 28 grandes cooperativas de crédito no país tiveram pesadas perdas com o derretimento no valor dos títulos ligados às hipotecas.

Em janeiro, a NCUA injetou US$ 1 bilhão de capital na US central, e também passou a garantir alguns bilhões de dólares em depósitos nas empresas do setor. A US Central tem ativos de US$ 34 bilhões, enquanto a Wescorp, possui US$ 27 bilhões.

Fonte: G1

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Federcasse - Compromisso com a agricultura

sábado, 14 de março de 2009

Itália - Em uma audiência da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados a Federcasse analisou seu empenho nos últimos oito anos em favor da agricultura.

A Federcasse é uma associação italiana que reúne 440 Bancos de Crédito Cooperativo (BCC) e Caixas Rurais.

Durante a audiência, a delegação da Cooperativa de Crédito, lembrou do histórico das Caixas Rurais nascidas precisamente para apoiar a economia rural e artesanal. Nos anos 2000 - 2008, em especial, o volume de empréstimos concedidos à agricultura pelos BCC atingiu EUR 5,8 bilhões, um crescimento de 141,3%. Durante o mesmo período, o "peso" dos BCC no financiamento ao setor agrícola na Itália aumentou significativamente, de 10,4% em 2000 para 15,6% em Setembro de 2008.

Paralelamente, o crédito à indústria tem mantido uma forte importância na carteira dos BCC: atualmente 7,5% dos empréstimos às empresas destina-se a apoiar o setor primário.

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Quais são os maiores bancos do mundo em volume de ativos ?

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Bankers Almanac possui um ranking dos 50 maiores bancos do mundo em volume de ativos.

Os dados são abaixo tem como base os balanços de Dez/07 dos mais de 3.000 bancos existentes no mundo.

A lista dos 10 maiores do mundo:

  1. The Royal Bank of Scotland Group plc - RBS (Inglaterra) - Ativos totais de US$ 3,8 trilhões;
  2. Deutsche Bank AG (Alemanha) - US$ 2,9 trilhões;
  3. BNP Paribas SA (França) - US$ 2,5 trilhões;
  4. Barclays PLC (Inglaterra) - US$ 2,4 trilhões;
  5. Crédit Agricole SA (França) - US$ 2,1 trilhões;
  6. UBS AG (Suíça) - US$ 2 trilhões;
  7. Société Générale (França) - US$ 1,6 trilhões;
  8. ABN AMRO Holding NV (Holanda) - US$ 1,5 trilhões;
  9. UniCredit SpA (Itália) - US$ 1,5 trilhões;
  10. ING Bank NV (Holanda) - US$ 1,4 trilhões.

Chama atenção que entre os 10 maiores bancos em volume de ativos do mundo todos eles são Europeus.

Os demais bancos cooperativos do mundo aparecem nas seguintes classificações:

O somatório dos ativos administrados pelos 50 maiores bancos é de US$ 53,3 trilhões, sendo que entre eles temos 7 bancos cooperativos (14%) que administram US$ 6,3 trilhões, representando 12% do total.

Quando analisado o Patrimônio Líquido temos que os 50 maiores bancos possuem US$ 394 bilhões e que os 7 bancos cooperativos detêm US$ 112 bilhões, representando 28% deste total.

Veja o ranking completo no link.

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Bancos Suíços já rejeitam depósitos por estarem com o excedente de liquidez muito alto

quarta-feira, 11 de março de 2009

Bancos suíços pequenos já rejeitam depósitos

Genebra - Bancos médios e pequenos na Suíça começam a rejeitar depósitos de novos clientes que abandonaram os grandes bancos como UBS e Credit Suisse, em meios aos temores com a dramática crise financeira global.

De um lado, os pequenos poupadores rompem integralmente a relação com o antigo banco, levando depósito, títulos etc. De outro, os clientes milionários estão multiplicando a abertura de contas em diferentes bancos, para diversificar os risco.

O Raiffeisen, um banco cooperativo, o terceiro maior banco da Suíça, registrou fluxo de US$ 1 bilhão por mês de novos clientes, no terceiro trimestre, deflagrando o alerta na instituição, já que nunca tinha recebido tanto dinheiro em pouco tempo.

Clientes milionários se antes tinham duas contas, agora têm até seis em bancos diferentes. Seu poder de barganha é maior, e não enfrentam os problemas sofridos por pequenos poupadores. Bancos estaduais reclamam do afluxo de novos clientes, em alguns casos estimando que o custo de abrir uma conta é maior do que o benefício que poderiam ter.

O banqueiro Ivan Pictet, presidente da fundação Praça Financeira de Genebra, disse que o movimento chegou a tal ponto que esses bancos pequenos e médios passaram a colocar os depósitos no Banco Central (BC).

A questão toda, de fato, é o que fazer com o dinheiro dos novos clientes e remunerá-los. Ninguém quer arriscar em ações nem fundos. Ainda mais que o temor cresce com o anúncio de que os fundos de pensão suíços já perderam cerca de US$ 50 bilhões com a crise.

O Raiffeisen emprestava até 30% de seus depósitos a outros bancos. Mas o mercado interbancário, entre os próprios bancos, continua quase congelado. A solução no momento é depositar no BC, que empresta a outros bancos.

A saída de dinheiro do UBS passou dos 40 bilhões de francos suíços nos últimos tempos. Mas o Credit Suisse informa que recebeu fluxo novo de 13 bilhões de francos dos depositantes.

Fonte: Valor Online

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Desjardins divulga resultados de 2008

segunda-feira, 9 de março de 2009

Canadá - O Grupo Desjardins divulgou os resultados obtidos no Canadá no ano de 2008.

O resultado do ano de 2008, já descontados os efeitos da crise financeira e antes do pagamento de dividendos, foi de US$ 78 milhões. Os ativos totais cresceram 5,7% atingindo US$ 152,3 bilhões. O resultado do ano de 2007 havia sido de US$ 1,101 bilhão.

Segundo dados divulgados o Desjardins permanece líder no mercado financeiro de Quebec com 39,3% do mercado hipotecário à habitação, 46,9% no crédito rural e 43,9% na poupança local. O Grupo Desjardins foi eleito um dos 50 melhores empregadores do Canadá.

O efeito da crise financeira mundial impactou negativamente em US$ 1,172 bilhão no resultado do grupo Dejardins.

Veja os números completos:
  • Ativos Totais: US$ 152,3 bilhões;
  • Depósitos Totais: US$ 102 bilhões (crescimento de 5,9%);
  • Resultado do Ano de 2008: US$ 78 milhões;
  • Empréstimos: US$ 102,2 bilhões (crescimento de 8,7%);
Fonte: Desjardins

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Quais são os 50 bancos mais seguros do mundo ?

domingo, 8 de março de 2009

A Revista Global Finance, uma respeitada revista financeira acaba de publicar sua relatório semestral divulgando a relação dos 50 bancos mais seguros do mundo.

O relatório completo consta na edição de Abril do Global Finance.

  1. KfW (Germany)
  2. Caisse des Depots et Consignations (CDC) (France)
  3. Bank Nederlands Gemeenten (BNG) (Netherlands)
  4. Landwirtschaftliche Rentenbank (Germany)
  5. Landeskreditbank Baden - Wuerttemberg - Foerderbank (Germany)
  6. NRW. Bank (Germany)
  7. BNP Paribas (France)
  8. Banco Santander (Spain)
  9. Royal Bank of Canada (Canada)
  10. National Australia Bank (Australia)
  11. Commonwealth Bank of Australia (Australia)
  12. Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) (Spain)
  13. Toronto-Dominion Bank (Canada)
  14. Australia & New Zealand Banking Group (Australia)
  15. Westpac Banking Corporation (Australia)
  16. Banco Espanol de Credito S.A. (Banesto) (Spain)
  17. ASB Bank Limited (New Zealand)
  18. HSBC (United Kingdom)
  19. Wells Fargo (United States)
  20. Nordea Bank (Sweden)
  21. Scotiabank (Canada)
  22. La Caixa (Spain)
  23. Svenska Handelsbanken (Sweden)
  24. US Bancorp (United States)
  25. Banco Popular Espanol (Spain)
  26. DBS Bank (Singapore)
  27. Deutsche Bank (Germany)
  28. Société Générale (France)
  29. Intesa Sanpaolo (Italy
  30. Bank of Montreal (Canada)
  31. DnB NOR Bank (Norway)
  32. The Bank of New York Mellon (United States)
  33. Caixa Geral de Depositos (Portugal)
  34. United Overseas Bank (Singapore)
  35. OCBC (Singapore)
  36. Axa Bank Europe (Belgium)
  37. Credit Suisse Group (Switzerland)
  38. Landesbank Baden-Wuerttemberg (Germany)
  39. Nationwide Building Society (United Kingdom)
  40. CIBC (Canada)
  41. National Bank Of Kuwait (Kuwait)
  42. Barclays (United Kingdom)
  43. UBS (Switzerland)
  44. JPMorgan Chase (United States)
  45. Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ (Japan)
  46. Credit Industriel et Commercial (CIC) (France)

Fonte: http://hsudarren.wordpress.com/2009/03/05/50-safest-banks-in-the-world/

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Credit Agricole divulga resultados de 2008

O Credit Agricole, banco cooperativo francês que é atualmente o 5º maior banco do mundo em volume de ativos divulgou recentemente seus principais números do ano de 2008.

Segundo os dados divulgados, 44% dos volumes administrados pelo Credit Agricole são oriundos da França, 11% da Itália, 19% do Oeste Europeu (excluída a Itália) e 11% da América do Norte.

Veja os principais dados de 2008:
  • Lucro Líquido em 2008: EUR 1,024 bilhão;
  • Lucro Líquido em 2007: EUR 4,044 bilhão;
  • Ativos Totais na França: EUR 626,2 bilhões;
  • Empréstimos Totais na França: EUR 424,6 bilhões;
  • Ativos Totais do Grupo (em todos os países): EUR 1,653 trilhão;
  • Empréstimos Totais do Grupo (em todos os países): EUR 620,6 bilhões;
  • Depósitos totais de bancos e clientes: EUR 514,3 bilhões;
  • Patrimônio Líquido: EUR 64 bilhões;
  • Clientes: 58 milhões;
  • Colaboradores: 164.000;

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NCUA divulga resultados de 2008 das Cooperativas de Crédito dos Estados Unidos

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Estados Unidos (Fev/09) - O NCUA (Órgão Regulador das Cooperativas de Crédito dos Estados Unidos) divulgou os dados consolidados do ano de 2008 das cooperativas de crédito dos EUA.
  • Total de Cooperativas de Crédito: 7.806
  • Ativos Totais: US$ 813,4 bilhões, com aumento de 7,7% ano ano de 2008;
  • Empréstimos: US$ 566 bilhões, com aumento de 7,08% no ano;
  • Aplicações (depósitos): US$ 681,1 bilhões, com aumento de 7,71%;
  • Patrimônio Líquido: US$ 88,9 bilhões, com aumento de 3,26%;
  • Lucro Líquido em 2007: US$ 4,6 bilhões
  • Lucro Líquido em 2008: US$ 2,4 bilhões, com queda de 47,5%
  • Associados: 88,8 milhões, com aumento de 2%

A rentabilidade sobre os ativos foi de 0,31% em 2008, menor do que os 0,63% de 2007. O lucro líquido caiu 47,5% em virtude do crescimento de 112,3% das provisões sobre empréstimos.

Fonte: NCUA

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BVR insiste na fusão dos Bancos Cooperativos Alemães

Alemanha - O BVR - Bundesverband der Deutschen Volksbanken und Raiffeisenbanken, Confederação dos Bancos Cooperativos da Alemanha tem insistido para que os Bancos Cooperativos alemães promovam sua fusão para fortalecer o setor financeiro cooperativo.

Atualmente a Alemanha possui dois bancos cooperativos
, o DZ Bank (atuação em nível nacional) e o WGZ Bank (atuação em nível regional).

O DZ Bank é hoje o 6º maio banco da Alemanha detendo entre 20 e 25% do mercado financeiro do país. A fusão criaria uma instituição financeira com ativos totais de EUR 580 bilhões (EUR 431 do DZ Bank + EUR 147 do WGZ).

Os principais objetivos da fusão são a redução de custos por hoje existirem 2 bancos cooperativos no país e a necessidade de fortalecimento dos bancos cooperativos frente à concorrência cada vez mais acirrada. Existem expectativas de que a fusão seja concluída até a metade do ano de 2009.

Fonte:
Reuters e Wissen

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A Expressão do Cooperativismo de Crédito no Mundo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A criação e manutenção deste site abordando o Cooperativismo de Crédito no Brasil e no Mundo surgiu da necessidade de uma maior divulgação do Cooperativismo de Crédito no Brasil.

Atualmente carecemos de fontes de informações especificamente sobre o Cooperativismo de Crédito. Cada sistema de cooperativas de crédito no Brasil, ou em outros países, fala apenas de si divulgando apenas visões segmentadas do todo. Mesmo o WOCCU (Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito) não representa todas as instituições financeiras cooperativas do mundo. Além do WOCCU existe também a Associação Internacional dos Bancos Cooperativos que representa bancos cooperativos de 39 países e mesmo esta Associação não possui dados consolidados dos bancos cooperativos que ela representa.

Todas as pesquisas feitas para a elaboração deste site estão compiladas no Artigo Acadêmico disponível no link abaixo, entregue por ocasião da conclusão do MBA em Gestão de Cooperativas da Univates em dez/08.

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Natixis - O surgimento do 2º maior banco da França

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Cooperativismo de Crédito Francês conta conta com um grande aliado na expansão de seus negócios. Trata-se do Banco Natixis, surgido de uma integração das redes de atendimento dos sistemas cooperativos Caisse d'Epargne e Banques Populaires.

Segundo a Revista Forbes o Natixis é o 50º maior banco do mundo e a combinação dos dois bancos cooperativos dá origem a um gigante francês dispondo de uma rede com mais de 8 mil agências e 100 mil funcionários, com um total de 33 milhões de clientes.

Apesar do enorme conglomerado financeiro formado através do NATIXIS seu desempenho financeiro tem sido bastante prejudicado pela Crise Financeira Mundial. Dados preliminares apontam para uma perda de EUR 1,7 bilhões no ano de 2008.

A FUSÃO: Segundo o presidente e diretor executivo do Banque Populaire, Philippe Dupont, "o ano de 2008 foi um ano muito ruim para o Natixis". Atualmente os dois principais acionistas do Natixis, Caisse d'Epargne e Banques Populaires, estão em negociações para uma fusão, decisão tomada no ano de 2008 em parte devido a uma série de perdas do Natixis.

A fusão dos dois sistemas cooperativos criaria o 2º maior banco da França, logo após do banco cooperativo Credit Agricole que deteria de 20 a 26% do mercado financeiro do país, com 8.000 agências urbanas e rurais, 100.000 funcionários, EUR 40 bilhões em Patrimônio Líquido, EUR 480 bilhões em depósitos. Fonte: site Natixis

Estima-se que na França 60% dos ativos totais do mercado financeiro sejam administrados por Bancos Cooperativos. (leia sobre o assunto)

O Natixis também divulgou recentemente que poderia ter uma exposição de EUR 450 milhões na fraude de US$ 50 bilhões de Bernard Madoff. Em set/08 ele já havia divulgado a exposição de EUR 248 milhões ao Lehman Brothers.

O governo francês tem se preocupado com a situação do Natixis, que administra recursos de muitos pequenos investidores e tem insistido para que seja acelerada a fusão de seus acionistas.

Segundo dados divulgados pelo Natixis:
  • Caisses d’Epargne administra EUR 190 bilhões em depósitos e EUR 125 bilhões em empréstimos;
  • Banques Populaires administra EUR 96,2 bilhões em depósitos e EUR 131,4 bilhões em empréstimos.
  • Natixis administra EUR 556 bilhões em ativos.
Fonte: Reuters

Veja o balanço do Natixis de Set/08.

Leia outras notícias neste site sobre o Natixis.

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Natixis, Coface e o seguro de crédito

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Coface, com sede em Paris, faz parte do Grupo Natixis Banques Populaires, formado pelos Bancos Cooperativos franceses Caisse d'Epargne e Banques Populaires, um dos maiores conglomerados financeiros na França, com patrimônio líquido superior a EUR 12,9 bilhões (Jun/2008).

A Coface (Compagnie Française d´Assurance pour le Commerce Extérieur) ocupa uma reconhecida posição de liderança mundial em gerenciamento e soluções de crédito, atendendo a 120 mil empresas de todos os portes, setores e nacionalidades no mundo inteiro, operando com quatro linhas de negócios.

Há mais de 60 anos no mercado, com presença direta em 65 países e no total de mais de 90 países, por meio da parceria com a rede global CreditAlliance, a Coface possui mais de 6 mil funcionários e atende a clientes dos 45% dos 500 maiores grupos corporativos do mundo.

Veja a matéria publicada pela Revista Veja em Abril/08 intitulada "O avalista de 500 bilhões de euros".

Conheça o site da Coface do Brasil.

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DZ Bank divulga resultados de 2008

Alemanha - O DZ Bank (Deutsche Zentral - Genossenschaftsbank) banco cooperativo alemão divulgou em seu site na internet uma prévia de seus resultados do ano de 2008.

Segundo o banco, o agravamento da crise financeira mundial no 4º bimestre de 2008 resultou em um resultado negativo no ano de 2008 no valor de 1 bilhão de euros, tendo impactado as perdas do DZ Bank com exposições no Lehman Brothers (EUR 360 milhões), Icelandic banks (EUR 449 milhões) e sua participação no Natixis (EUR 269 milhões). No 1º semestre de 2008 as sobras acumuladas do DZ Bank haviam sido de EUR 496 milhões e no 1º semestre de 2007 de EUR 1,250 bilhão.

O Cooperativismo de Crédito na Alemanha é organizado através do FinanzVerbund através do BVR - Bundesverband der Deutschen Volksbanken und Raiffeisenbanken que é a Associação Federal dos Bancos Populares) detêm participação de mercado de 20%, possuindo mais de 16 milhões de associados, 30 milhões de clientes e ativos totais de EUR 995 bilhões, dos quais EUR 431 são administrados pelo DZ Bank, que é o 6º maior banco da Alemanha. O DZ Bank possui carteira de crédito de EUR 180 bilhões.

Conheça mais sobre os dados do DZ Bank Group no clicando aqui.

Leia neste site mais notícias sobre o DZ Bank.
Clique sobre a imagem abaixo para ver a imagem em maior resolução.

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Bancos franceses anunciam fusão em gestão de ativos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Crédit Agricole e Société Générale criarão empresa conjunta. Empresas estimam economia com acordo em 120 milhões de euros.

26/01/09 - Os bancos franceses Crédit Agricole e Société Générale anunciaram nesta que fecharam um acordo de fusão entre suas unidades de gestão de ativos. O Crédit Agricole deterá 70% e o Société Générale 30% na nova empresa resultante da união. Segundo o comunicado, as duas companhias tinham juntas 638 bilhões de euros em ativos sob administração em setembro e, com a união, formarão a quarta empresa da Europa no ramo.

A nova empresa terá como objetivo os segmentos de varejo de ambos os bancos. Além disso, se focará nos clientes institucionais com fundos baseados em renda fixa e ações em euros, dólares e ienes.

Economia
Os dois bancos estimam que a operação gerará economia de até 120 milhões de euros anualmente a partir do terceiro ano, a partir do terceiro trimestre de 2009. No entanto, ainda não divulgaram os valores do acordo.
As unidades envolvidas no negócio operam em 37 países e tiveram receita anualizada de 1,8 bilhão de euros e lucro operacional de 900 milhões de euros, os bancos disseram.
Fonte: G1

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O Cooperativismo e o Circo de Soleil

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Técnico do BC aposta no cooperativismo como opção para crédito de baixo custo e cita o caso do circo canadense como exemplo da relação de confiança que o sistema estabelece com os associados.

COOPERATIVISMO DE CRÉDITO: Se já contavam com a simpatia do Banco Central, que nos últimos anos rompeu algumas amarras legais que as impediam de crescer, as cooperativas de crédito encontram agora, em plena crise, ventos ainda mais favoráveis. A nova investida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra os exageros do spread (diferença entre o valor pago pelos bancos para captar o recurso e o juro que cobram para emprestá-lo ao tomador de crédito) dá mote a algumas comparações.

Nos cálculos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o juro praticado pelas cooperativas de crédito ficou 2,61% abaixo da taxa média mensal cobrada pelos bancos. A inadimplência, principal risco alegado pelos bancos para manter o crédito escasso e caro, é baixa no cooperativismo de crédito: em 2008, não passou de 1,83%. Com estes e alguns outros trunfos - estão isentas de alguns tributos e também não precisam recolher compulsoriamente ao Banco Central parte dos recursos que captam, como os bancos -, as 1.422 cooperativas de crédito já reúnem 3,2 milhões de associados e a previsão da OCB é de que até o final de 2009 este número já esteja em 3,8 milhões de brasileiros.

REVISTA AMANHÃ: A verdade, porém, é que o cooperativismo de crédito precisará sustentar altas taxas de crescimento para "fazer cócegas" nos grandes bancos, como revela, em entrevista à AMANHÃ, o adjunto do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Abelardo Sobrinho. Mesmo assim, pondera, em cidades pequenas e de porte médio os grandes bancos enfrentarão uma competição "bastante acirrada". E se o cooperativismo de crédito precisava de um ícone para mostrar sua diferença em relação aos bancos tradicionais, Abelardo aponta o Cirque du Soleil, um caso que ele conheceu em viagem de estudos pelo Canadá - país no qual a sensação produzida pelas cooperativas na indústria bancária não é, propriamente, de cócegas.
  • Com a crise e a aversão dos bancos ao risco, o cooperativismo de crédito adquire um papel ainda mais importante?
    Independentemente da crise, o cooperativismo de crédito, se bem organizado, é uma resposta adequada e bastante às demandas do crédito. O sistema cooperativista é limitado em seu corpo social. Portanto, sabe das necessidades do seu corpo social. E é este próprio corpo social que oferece o funding para a cooperativa realizar empréstimos. Mas é claro que há limitações.

  • Quais são as limitações mais importantes?
    Em primeiro lugar, o cooperativismo de crédito responde hoje por apenas 2% do volume total de recursos emprestados no âmbito do sistema financeiro. Em outros países, esta participação é bem maior. Na Alemanha, é de 25%. Em Quebec, lá no Canadá, chega a 50%, seguindo o modelo Desjardins.

  • E nos Estados Unidos, sempre uma referência em mercado financeiro, qual é a fatia das cooperativas de crédito?
    É menor. Mas é importante, também - está na casa dos dois dígitos.

  • No Brasil, esta participação vem crescendo, não?
    O cooperativismo de crédito foi bastante incrementado nos últimos seis anos, com a decisão do Banco Central de permitir que, em vez de se restringir a categorias organizadas, as cooperativas pudessem usufruir da livre admissão de associados. Isso visou exatamente a permitir que elas pudessem ter mais fluxo de recursos e concorrer mais efetivamente com o sistema bancário.

  • E como a crise interfere neste cenário?
    A crise atinge a economia como um todo, na medida em que provoca redução de demanda, queda de preços... Mas ainda assim o cooperativismo dá boa resposta. Vejamos, qual é a origem desta crise? É a especulação, a ganância, a criação de vários instrumentos de financiamento que não correspondem a dinheiro físico e sim a uma mera transferência de responsabilidades... O cooperativismo não vive disso. O cooperativismo de crédito vive basicamente de ter os recursos e emprestá-los. Não veremos uma cooperativa pegando este dinheiro no seu caixa para buscar uma aventura no mercado, uma aplicação de maior rentabilidade.
  • Até onde pode chegar o crescimento do cooperativismo de crédito, partindo desta pequena participação que hoje anda ao redor de 2% do mercado? Sem dúvida, o cooperativismo de crédito é muito pequeno em relação ao seu potencial. O sistema vem sendo estimulado a crescer nos últimos anos, mas ainda não atingiu um crescimento capaz de fazer cócegas no sistema bancário. Claro que há fatores culturais, ligados a tradição, a princípios de uma cooperativa. O cooperativismo difere em vários aspectos do sistema bancário tradicional.

  • O potencial de crescimento das cooperativas de crédito é maior nas pequenas cidades, onde os bancos não atuam tão fortemente?
    Eu vou justamente nesta linha. Os grandes centros, onde se concentra o chamado crédito urbano, já são ocupados pelo sistema bancário tradicional. Nestas cidades de maior porte, basicamente as capitais, a dificuldade das cooperativas é maior porque, por força de lei, nestes lugares elas são limitadas, só podem representar categorias profissionais ou grupos de pessoas de determinada empresa ou perfil. Então, elas enfrentam uma limitação de quadro social. Eu explico: é que a norma legal permitiu às cooperativas a livre admissão de associados somente em regiões contínuas - como áreas metropolitanas - que tenham menos de 2 milhões de habitantes.

  • Em resumo, a lei remete as cooperativas de crédito para as cidades menores?
    Sim. Nos grandes centros, onde você tem municípios interligados somando uma população de menos de 2 milhões de habitantes, elas ainda têm alguma chance. Mas quando extrapolamos esta análise para o interior, aí, sim, você tem uma concorrência muito forte das cooperativas de crédito com os bancos. Elas demonstram uma capacidade significativa de influenciar o mercado local e, inclusive, os custos financeiros da região. Se você examinar o sul do país verá que praticamente 90% dos municípios têm presença cooperativista. Existem municípios em que a cooperativa fez a diferença, respondendo por 70 ou 80% dos recursos movimentados naquela comunidade. E há municípios em que este percentual é de 100%. Ali, só existe a cooperativa de crédito, e o crescimento do sistema é muito forte. Agora, nos centros maiores, eu concordo: a concorrência com os bancos é bem mais difícil.

  • Nas cidades nem tão grandes nem tão pequenas teremos uma batalha entre cooperativas de crédito e bancos?
    Claro que nessas cidades de porte médio, como Londrina, Joinville, por exemplo, haverá... eu não diria "batalha", mas uma concorrência. E uma concorrência bastante acirrada. Inclusive, eu diria, com influência direta na composição da taxa de juros. E vamos ver as cooperativas de crédito puxando a taxa para baixo. A questão para o cooperativismo, ainda - e isso é uma percepção minha-, é que o cooperativismo não oferece todos os produtos típicos do banco. Cooperativa não oferece câmbio, por exemplo. E esse é um produto típico do setor de bancos.

  • Mas não oferece porque a legislação não permite?
    É, a legislação não permite uma carteira de câmbio nas cooperativas. Mas isso poderia ser feito por intermédio do banco do sistema. Hoje, nós temos dois sistemas de cooperativismo de crédito que têm banco. O SICREDI e o SICOOB. O Banco SICREDI S/A tem a carteira de câmbio. O BANCOOB não tem, ainda. Além do câmbio, há uma gama de produtos financeiros que podem ser oferecidos aos associados, como financiamento de longo prazo, capital de giro.... Neste campo o cooperativismo ainda está bastante limitado.

  • Que referências o cooperativismo de crédito brasileiro deve seguir, nesta perspectiva?
    Eu estive em Quebec , no Canadá, onde o cooperativismo detêm mais de 50% do mercado financeiro. Veja o caso do Circo de Soleil, que é da região de Montreal. Eu estive lá e conheço bem esta história. Quando foi montar o Cirque du Soleil, o seu idealizador, que era um daqueles comedores de fogo, foi procurar o sistema bancário para dizer "Olha, financia este projeto". O que ele ouviu foi alguma coisa como "Acha que sou maluco, rapaz? Vou botar o meu dinheiro aí no fogo, pra vocês comerem? Que história é essa?". Resumindo, o banco não financiou. Ele foi buscar apoio no sistema cooperativista da região, que começou a apoiá-lo com pequenos recursos. E foi o modo como ele conseguiu montar o circo. Veio o sucesso - porque de fato há empreendedores que só precisam, mesmo, de recursos... O circo cresceu e o sistema cooperativista da região já não tinha mais capacidade operacional para suprir todas as necessidades de financiamento do Circo de Soleil. Então, o que o Soleil passou a fazer ? Passou a fazer uma espécie de leilão com os bancos. "Olhem, estamos precisando de US$ 1 milhão. Vocês nos oferecem a quanto?". O poder de barganha mudou de lado... Exatamente. O circo passou a ter o poder de dizer assim: "Eu quero um milhão", porque o negócio virou um sucesso e os bancos viam o empreendimento com outros olhos. Mas mesmo na nova fase o Circo de Soleil só recorria ao sistema bancário quando o sistema cooperativista declarava algo como "Olha, nesse nível nós não temos os recursos suficientes para bancar o seu projeto.". A preferência deles sempre foi pelo sistema cooperativista. É uma história lá de fora, mas se nós olharmos determinadas regiões do Brasil veremos que também ocorre essa concorrência das cooperativas, esta capacidade de impor uma puxada de juros para baixo.... Há pessoas que operam exclusivamente com o sistema cooperativista. Assim como há pessoas que não conhecem bem o sistema cooperativista e entram porque acham que se trata de crédito fácil... Tem de tudo aí.

  • Um detalhe que chama a atenção no estudo que você realizou com Marden Soares é o alerta de que o associado ainda sabe pouco sobre as possibilidades que a cooperativa oferece a ele.
    Exatamente. Esse é o ponto crítico: o associado não conhece seus direitos e obrigações. O nível de formação ainda é bastante baixo. Esse é um dos grandes desafios do sistema cooperativista. Se você pegar o total de associados do sistema e fizer uma peneira para verificar quais são aqueles que efetivamente utilizam os serviços da cooperativa, verá que este número não chega à metade, é um coeficiente baixíssimo. Você tem aquilo que a gente chama de associados inativos. São associados que não operam com cooperativa, que ficam aguardando apenas o final do ano para receber o retorno a partir das sobras (cooperativas não visam ao lucro; seus resultados são "sobras").

  • O governo vem insistindo na redução do spread bancário por considerar que o juro cobrado pelo banco para emprestar é muito superior ao custo que a instituição tem para captar este recurso no mercado. Até que ponto as cooperativas de crédito conseguem praticar juros mais baixos que os bancos tradicionais? Há uma diferença, sim.
    O spread é menor nas cooperativas de crédito. As taxas de juros que elas praticam ficam abaixo do sistema bancário tradicional. E as cooperativas têm um custo de captação mais alto que os bancos por força da inexistência de outros produtos a oferecer aos clientes. Os bancos, ao contrário, operam com um portfólio mais amplo: seguros, consórcios... O banco pode até trabalhar... não direi com prejuízo, mas com custo zero em um determinado produto porque consegue atrair o cliente para um pacote de serviços e, no conjunto, a instituição cobre seus custos e tem resultados. A cooperativa de crédito não tem esta margem, embora disponha de algumas isenções tributárias.

O Sistema Desjardins é o mais importante sistema cooperativista do Canadá, com atuação na Província de Quebec. Cerca de 73% da população da província é filiada a alguma cooperativa deste sistema, que detêm a sexta posição no ranking dos ativos de todas as instituições financeiras do Canadá. Sua origem remonta a 1900, quando Alphonse Desjardins criou as primeiras caixas populares na região.

Fonte: Revista Amanhã

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Cooperativismo de Crédito no Mundo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fonte: Banco Central do Brasil - Microfinanças - Democratização do Crédito no Brasil, Atuação do Banco Central (2006)


"O Setor Cooperativo é de singular importância para a sociedade, na medida em que promove a aplicação de recursos privados e assume correspondentes riscos em favor da própria comunidade onde se desenvolve. Por representar iniciativas diretamente promovidas pelos cidadãos, é importante para o desenvolvimento local de forma sustentável, especialmente nos aspectos de formação de poupança e de financiamento de iniciativas empresariais que trazem benefícios evidentes em termos de geração de empregos e de distribuição de renda.

Economias mais maduras já o utilizam, há muito tempo, como instrumento impulsionador de setores econômicos estratégicos. Os principais exemplos são encontrados na Europa, especialmente na Alemanha, na Bélgica, Espanha, França, Holanda e Portugal. Merecem destaque também, as experiências americana, canadense e japonesa.

O relatório anual da European Association of Co-Operative Banks, com sede em Bruxelas (Bélgica) mostra que é preponderante o papel dos bancos cooperativos no continente europeu, por atingirem 130 milhões de clientes, 700 mil empregados, 60 mil agências e 17% do mercado de depósitos.

Em alguns países, como Irlanda e Canadá, o cooperativismo de crédito vem ocupando, com bastante eficiência, espaços deixados pelas instituições bancárias, como resposta ao fenômeno mundial da concentração, reflexo da forte concorrência no setor financeiro. As cooperativas estão conseguindo manter os empregos nas pequenas comunidades e ofertando serviços mais adequados às necessidades locais.

Levantamento feito pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (Woccu) mostra os diferentes graus de importância do cooperativismo de crédito, medida pelo percentual de cooperados em relação à população economicamente ativa, nas mais importantes regiões do mundo. O Brasil possui uma relação de 2%, apenas superior à da Ásia, com 1,84%."

Panorama do Cooperativismo de Crédito no Mundo

  • França – O Sistema encontra-se consolidado. As caixas cooperativas agrícolas ocupam o segundo lugar mundial no sistema bancário e de crédito.
  • Canadá – Em cada três habitantes, um é membro de uma Caixa Cooperativa de Crédito. (Desjardins)
  • Holanda – O Cooperativismo de crédito é bem estruturado e responde por expressiva parcela do movimento financeiro do país. Mantém agências de apoio em países em desenvolvimento. (Rabobank)
  • Itália – O sistema é aberto e funciona como banco, com grande participação no mercado financeiro italiano.
  • Países da Ásia – Situação similar à da Europa, com o Cooperativismo alcançando bons resultados na Índia e grande expressividade no Japão. (ACCU)
  • Estados Unidos – Primeira Cooperativa fundada em 1909. Hoje têm grande participação na economia – 77 milhões de americanos são associados – assim como no Canadá. (NCUA)
  • Alemanha – O país conta com cerca de 18 milhões de pessoas associadas e 30 milhões de correntistas, numa população de cerca de 85 milhões de habitantes. O volume de recursos movimentados corresponde a mais de 25% do mercado financeiro alemão. (DGRV)
  • Portugal – É um dos países da União Européia que consagrou constitucionalmente a importância econômica do cooperativismo e fez dele um setor estrutural do desenvolvimento nacional.

Entre os 50 maiores sistemas bancários do mundo, quatro são cooperativos: França, Alemanha, Holanda e Japão.

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